quinta-feira, 30 de junho de 2016

AMAMENTAR EM PÚBLICO AGORA EM BH É LEI (uma lei humanamente linda)



Direito de filhos e mães à amamentação em público torna-se lei em BH, com multa de até R$ 1 mil para quem constranger mulheres. Norma será regulamentada em 90 dias


Para ter direito a alimentar o próprio filho no peito, no gesto mais primário da humanidade, a fotógrafa Milena Gomes, já teve de dar uma “encarada” no segurança de um shopping center de Belo Horizonte, que, gentilmente, sugeriu a ela que buscasse um espaço reservado à prática. Ontem, mãe e filho se sentiram mais “livres para mamar”, exatamente no dia em que foi sancionada a lei que pune restrições à amamentação em público em Belo Horizonte. Quando bateu a fome em Raul, de 2 anos, Milena aconchegou o filhote no colo e continuou com naturalidade a tarefa de pegar o pão, bolo e um pacote de café, dentro da seção de pães de um supermercado. Parece natural, mas nem para todos: o jovem consultor imobiliário Tiago, de 21 anos, por exemplo, se confessou desconfortável ao presenciar a cena. A dona de casa Marlene, de 73, também não escondeu certa reprovação: “Ninguém precisa ver. Expõe muito”, opinou.

Talvez por isso tenham se passado seis anos desde o primeiro ato a favor da amamentação em público em BH, até que o prefeito Marcio Lacerda referendasse lei que garante às mulheres o direito a alimentar os filhos em lugares públicos, sejam eles de natureza estatal ou privada, como praças, pontos de ônibus, restaurantes, centros de compra ou supermercados. Em síntese, se o espaço ou estabelecimento permitir o livre trânsito de pessoas, está liberada a amamentação.

Em 90 dias deve sair a regulamentação da nova regra, publicada ontem no Diário Oficial do Município (DOM). Essa normatização começa a ser definida a partir de hoje às 11h, em reunião entre o secretário municipal de Governo, Vítor Valverde, e o autor do projeto convertido em lei, vereador Gilson Reis (PCdoB). Segundo ele, vai ser necessário definir qual ente público aplicará a multa – de R$ 500 a R$ 1 mil, em caso de reincidência – a quem constranger mãe por amamentar, além de definir como será o mecanismo de punição. “Temos de estabelecer formas menos burocráticas, que possam ser menos embaraçosas para a mãe com o bebê, mas que permitam que a pessoa que contrariou a lei seja responsabilizada pelo ato”, afirma.

Para Gilson Reis, é curiosa a necessidade de criar uma lei para garantir a realização do gesto mais primário da humanidade. “Veja como somos primitivos e contemporâneos ao mesmo tempo”, comparou o vereador, marido da advogada Sílvia Raquel e pai de Tarsila, de 1 ano e um mês. Há cerca de dois anos, o projeto de lei vem sendo discutido com ativistas que defendem direitos como ao parto natural e à amamentação em público, como a doula Polly do Amaral, de 37 anos. Mãe de três meninas, sendo as duas últimas com amamentação prolongada, ela postou ontem foto comemorando a regulamentação da lei na capital. “Estive no primeiro ‘mamaço’ de Belo Horizonte, depois que um segurança do Masp, em São Paulo, tentou proibir uma mulher de amamentar em público. Essa lei é um marco, porque muitas pessoas ainda se constrangem com o ato, ainda mais quando a criança é maiorzinha, talvez por acharem que elas não precisam tanto do leite materno”, afirma. O “mamaço” de BH ocorreu há seis anos, no Parque Municipal, dias depois de manifestação semelhante no vão do Museu de Artes de São Paulo (Masp).

Polly explica que uma das maneiras de o filho não largar o peito à medida em que vai crescendo é amamentar exclusivamente com o leite materno até os 6 meses e, se possível, nunca complementar com mamadeira ou acalmar o bebê com a chupeta em lugares públicos como forma de evitar o constrangimento. “É preciso encarar que dar o peito é um gesto natural e parar de se preocupar com o que os outros vão pensar”, completa Milena Gomes, que também se posiciona publicamente, com o filho Raul, de 2 anos.

“É preciso entender que a amamentação não é um ato mecânico. É uma decisão. E, nesse processo de decisão que começa a ser construído na gestação e perdura pelos primeiros meses de vida da criança, é preciso persistência, força de vontade e apoio. Caso contrário, a mulher acaba desistindo”, defende Clécio Lucena, presidente da Sociedade Brasileira de Mastologia, Regional Minas Gerais. O médico afirma que há evidências científicas muito sólidas de que a amamentação efetiva e prolongada, por no mínimo seis meses, diminui o fator de risco de câncer de mama e é também um fator protetor contra a doença. “Além disso, tem o lado da afetividade; sabemos que a amamentação é uma das mais importantes formas de estabelecimento de vínculo entre mãe e bebê”, observa. Segundo ele, o puerpério é uma fase difícil para a mulher e o aleitamento pode interferir positivamente para diminuir efeitos psicológicos negativos em relação ao início da maternidade.

Clécio Lucena reforça que o processo de amamentação é natural e que assim deveria ser entendido. “É um ato absolutamente necessário para a sobrevivência da raça humana. O que é estranho, na verdade, é a necessidade de existir uma lei para garantir esse direito à mulher e à criança”, reforça. 


Saúde no peito 

A Organização Mundial de Saúde recomenda o aleitamento materno exclusivo até os 6 meses da criança e, partir de então, como complemento, até 2 anos ou mais. Veja os benefícios:

» Reduz a mortalidade infantil: o aleitamento materno pode evitar 13% das mortes em crianças menores de 5 anos em todo o mundo 

» Evita diarreia: crianças não amamentadas têm risco três vezes maior de se desidratar e morrer por diarreia 

» Evita infecção respiratória: a proteção é maior quando a amamentação é exclusiva nos primeiros 6 meses 

» Diminui os riscos de alergia: a amamentação exclusiva nos primeiros meses de vida diminui o risco de alergia à proteína do leite de vaca, de dermatite atópica e de outros tipos de alergias, incluindo asma 

» Diminui o risco de hipertensão, colesterol alto e diabetes: o aleitamento apresenta benefícios de longo prazo 

» Reduz a chance de obesidade: indivíduos amamentados têm chance 22% menor de vir a apresentar distúrbios de peso 

» Melhor nutrição: o leite materno contém todos os nutrientes essenciais para o crescimento e o desenvolvimento das crianças 

» Efeito positivo na inteligência: crianças amamentadas apresentam vantagem nesse aspecto sobre as demais 

» Melhor desenvolvimento da cavidade bucal: o exercício que a criança faz para sugar o leite da mama é fundamental para o alinhamento correto dos dentes e boa oclusão dentária 

» Protege contra o câncer de mama: estima-se que o risco de desenvolver a doença entre mães que amamentam diminua, 3% a cada 12 meses de amamentação 

» Evita nova gravidez: a amamentação é um excelente método anticoncepcional nos primeiros seis meses após o parto, com 98% de eficácia

» Promoção do vínculo afetivo entre mãe e filho: a amamentação uma forma muito especial de comunicação entre a mãe e o bebê 

» Melhor qualidade de vida: de forma geral, crianças amamentadas adoecem menos

Fonte: Ministério da Saúde e Estado de Minas


EU TENHO UM MILHÃO DE PROBLEMAS, MAS TER CURVAS NÃO É UM DELES

Não mesmo... 
Adoro o meu corpo envelhecido e mais redondo...

A idade chega e isto é inevitável, mas como tudo na vida traz prejuízos mas também benefícios. Em relação ao meu corpo tenho me sentido muito mais mulher. Agora sei o que eu gosto ou não sexualmente falando e.. eu falo sem pudores. Tenho segurança em ser sensual sem ser vulgar. Sei ser mulher e me valorizar como tal. Sou uma mulher clássica como dizem. Jamais me comportei ou fui objeto de uso descartável. Sou mulher para desejar-namorar-curtir e não ficar-transar-esquecer. Eu sempre falo para os amigos: "meu corpo, meu templo. Nele só entra quem eu autorizo, pois não está aberto a visitação pública". Eles acham uma graça isso. Mas é sério! Hoje em dia chegando nos 44 anos de idade (08.08.72) me sinto gostosa, linda e muito mais atraente do que aos 22 anos. É questão de saber usar o corpo em meu favor com calma e prazer. Eu me considero um mulherão.
Roberta Carrilho





terça-feira, 28 de junho de 2016

O PODER TRANSFORMADOR DA EMPATIA NAS RELAÇÕES HUMANAS por Alzira Azeredo



“A empatia é a arte de se colocar no lugar do outro por meio da imaginação, compreendendo seus sentimentos e perspectivas e usando essa compreensão para guiar as próprias ações.” Segundo John Donne, nenhum homem é uma ilha, sendo cada indivíduo um pedaço do continente, uma parte do todo.

Durante muito tempo pensou-se que a empatia fosse uma capacidade exclusivamente humana. Hoje, sabemos que diversas espécies animais são capazes de sentir empatia e coordenar impulsos “levando em consideração” o outro. Assim, nossa capacidade de sentir empatia está ligada à herança genética, que é uma consequência evolucionista.

Segundo o autor (KRZNARIC, p. 28) do livro “O Poder da Empatia – A arte de se colocar no lugar do outro para transformar o mundo”, a empatia é o antídoto para o individualismo absorto em si mesmo, que herdamos do século passado. A necessidade de desenvolver empatia está no cerne do esforço de encontrarmos soluções para problemas mundiais como violência étnica, intolerância religiosa, pobreza extrema, fome, abusos dos direitos humanos, aquecimento global. O autor denomina esta capacidade como uma espécie de pílula da paz.

Historicamente, conseguimos enxergar alguns “impedimentos” que nos colocamos para usarmos intensamente a empatia: Preconceito, autoridade, distância e negação. O preconceito é como uma venda em nossos olhos, é um julgamento feito em um momento considerando informações superficiais, sem comprovação; é um estereótipo do qual devemos fugir. Ao exercer enorme influências sobre os indivíduos, a autoridade foi utilizada como desculpa para cumprir tarefas execráveis. Também, não só a distância física, mas a temporal e, principalmente, a social, nos induzem a ser menos empáticos. E ainda, após sermos bombardeados com imagens de problemas sociais em diversas partes do mundo, com o tempo vamos nos tornando insensíveis a elas, “negando’’ sua existência.

O uso de nosso eu empático pode também estar intrinsecamente ligado à resolução de questões do nosso dia a dia. Ao tentar se colocar no lugar do outro no ambiente de trabalho, temos muito a ganhar expandindo nossa capacidade de compreensão dos problemas que nos rodeiam. Este exercício nos proporciona experimentar outras visões diferentes das nossas e observar aspectos antes ignorados por nós, pela simples constatação que enxergamos tudo a nossa volta considerando nossas próprias experiências pregressas. Essas mesmas experiências nos moldam ao longo do tempo, desenvolvendo, mesmo que inconscientemente, o poder da empatia.

A habilidade de aceitar e conviver bem com a diversidade nos torna mais empáticos e tolerantes. É o que vai nos permitir entrar numa sala de reuniões de uma organização transnacional para uma apresentação a ser feita e transmitir a mensagem que queremos de forma adequada para cada membro da plateia.

Outro aspecto muito importante que a empatia contribui é para a liderança. Nos dias de hoje, e com o modelo dinâmico de organizações que vivemos, não cabe mais o líder autocrático, altamente técnico, mas que não consegue se comunicar bem com seus liderados. É um exercício diário observar os colegas, subordinados e superiores e desenvolver a habilidade de ser empático com cada um deles.

Isso significa compreender as demandas individuais e atendê-las de forma abrangente. Um subordinado demanda orientações para o desenvolvimento da tarefa de forma a contribuir com a meta do grupo em que está inserido. Um superior demanda informações já tratadas para o processo decisório. Mesmo tratando de um assunto comum, as abordagens são completamente diversas e cabe ao líder compreender essa diferença. Para isso, vai usar muito de sua capacidade de ser empático com ambos.

Ser empático não se restringe às pessoas que conhecemos, mas principalmente com os desconhecidos ou mesmo com personalidades antagônicas. Este é um grande esforço que demanda sensibilidade, inteligência emocional e vontade, para se colocar no lugar do outro e experimentar uma nova perspectiva. Esta é uma habilidade que pode ser aprendida, mas que precisa ser diariamente cultivada.

As organizações têm muito a ganhar desenvolvendo a empatia em seus colaboradores, que naturalmente passam a trabalhar mais alinhados com seus líderes, uma vez que se sentem compreendidos. Isso gera coesão na equipe, e é um diferencial de mercado, que impacta na rentabilidade, gerando mais resultados.

Precisamos reconhecer a empatia como uma força capaz de promover mudanças nos diversos meios onde atuemos. Podemos fazer esse exercício diariamente, em nossas famílias e em nosso ambiente de trabalho, melhorando nossas relações interpessoais.

Fazer esforço consciente para se colocar no lugar de outra pessoa – inclusive no de nossos inimigos – para rasgar rótulos, reconhecer sua humanidade, individualidade e perspectivas: eis um dos grandes diferenciais daqueles que se esforçam para se destacarem em liderança. 


segunda-feira, 27 de junho de 2016

CINCO CURIOSIDADES SOBRE MACHADO DE ASSIS



O autor de Dom Casmurro nascia há 177 anos

Poucos autores foram tão importantes para a literatura brasileira quanto Machado de Assis. Um dos maiores difusores do realismo brasileiro, suas obras eram marcadas por um pessimismo niilista e mordaz que nos deu personagens ambíguos e apaixonantes como Capitu e Bentinho. No dia do aniversário deste grande autor, confira cinco curiosidades sobre sua vida e obra. E, claro, algumas sugestões de livros!

Amor
Carolina Machado, esposa do escritor, era quatro anos mais velha que ele e extremamente culta. Foi ela quem apresentou a Machado os grandes clássicos portugueses e diversos autores da língua inglesa. Alguns pesquisadores afirmam que era ela quem revisava os textos do escritor. “Machadinho”, como o autor assinava as mensagens de amor para a noiva, entusiasmava a esposa com cartas que previam o destino dos casal: “…depois, querida, ganharemos o mundo, porque só é verdadeiramente senhor do mundo quem está acima das suas glórias fofas e das suas ambições estéreis.”

Xadrez
Este era o jogo predileto do autor. Ele, inclusive, chegou a participar do primeiro campeonato disputado no Brasil. As peças usadas pelo escritor estão até hoje em exposição na Academia Brasileira de Letras.

ABL
Machado de Assis foi um dos fundadores da Academia Brasileira de Letras. Modesto, ocupou a cadeira número 23. Como patrono da cadeira número 1, a Academia escolheu José de Alencar.

Morte com a morte da esposa, Machado entrou em profunda depressão. Numa carta ao amigo Joaquim Nabuco, ele lamenta: “foi-se a melhor parte da minha vida, e aqui estou só no mundo”. Segundo alguns biógrafos, as últimas palavras de Machado de Assis antes de morrer foram: “A vida é boa”. O discurso em seu funeral foi feito por Rui Barbosa. Machado foi sepultado no cemitério São João Batista em 1908, mas seus restos mortais foram transferidos para a sede da Academia Brasileira de Letras em 1999.

Dinheiro
Numa época em que a moeda nacional se desvalorizava com muita velocidade, a imagem do autor ilustrou uma cédula. A imagem de Machado de Assis foi estampada na cédula de mil cruzados, que circulou entre 1987 e 1990.

Algumas das importantes obras do “Bruxo do Cosme Velho”.

Narrado em primeira pessoa, seu autor é Brás Cubas, um “defunto-autor”, isto é, um homem que já morreu e que deseja escrever a sua autobiografia.



No fim do século XIX, Rubião, ingênuo professor mineiro, herda uma fortuna do amigo Quincas Borba e muda-se para o Rio de Janeiro. Envolvido num jogo de paixão, ganância e loucura, Rubião se vê refém da máxima “ao vencedor, as batatas”, em que apenas os mais fortes triunfam. Neste romance, Machado de Assis revela as transformações de fim do Império brasileiro. Com personagens impactantes, mostra a formação de uma sociedade em que se evidenciam a sede pelo poder e a presença da desigualdade.



Ao escrever Dom Casmurro, Machado produziu um dos maiores feitos da literatura universal. Mas criando Capitu, a espantosa menina de “olhos oblíquos e dissimulados”, de “olhos de ressaca”, ele nos legou um incrível mistério, um mistério até hoje indecifrado. Há quase cem anos os estudiosos e especialistas o esmiuçam sob todos os aspectos. Em vão. Embora o autor se tenha dado ao trabalho de distribuir pelo caminho todas as pistas para quem quisesse decifrar o enigma, ninguém ainda o desvendou. A alma de Capitu é, na verdade, um labirinto sem saída.



A libertação dos escravos e a Proclamação da República formam o pano de fundo para a história de irmãos gêmeos rivais. A oposição vai se tornando cada vez mais intricada, até chegar a um desfecho surpreendente.



Existem normas que definam o que é sanidade e o que é loucura? A busca e a aplicação de tais normas são as principais razões da vida de Simão Bacamarte. Médico da provinciana Itaguaí, ele vai gerar medo e veneração ao tentar encontrar o parâmetro da normalidade.


Fonte: 




quarta-feira, 15 de junho de 2016

ESTE VÍDEO PROVA QUE NÃO DEVE TENTAR SER A 'MULHER PERFEITA'



Numa altura em que a sociedade e os meios de comunicação exercem cada vez mais pressão para que a mulher seja “perfeita”, um inquérito realizado por uma marca inglesa de cosméticos revelou que 50% das mulheres inquiridas se sente moderadamente ou extremamente stressada e 40% tem a sensação de estar prestes a “explodir”.

Nesse sentido, a empresa decidiu realizar um vídeo, intitulado “Let Go” (Deixe ir, em tradução livre), no qual mulheres mais velhas comentam a sociedade de hoje em dia e dizem o que mudariam se tivessem a oportunidade de ser jovens novamente






EU AMO ESTE TEMPINHO FRIO ... ME FAZ MUITO BEM!

Estou feliz! =)
Sinto bem em dias frios... 
Como eu gosto de tempo frio, fresco e úmido. Meu corpo se sente vivo. Tenho mais disposição, ânimo e alegria para fazer tudo... e para ficar em casa que eu adoro é perfeito!!! 

... e para representar este sentimento... nada menos que 'Jon Snow' (lindo estilo viking-nórdico) da série que eu adoro, sou fã de carteirinha, assisto todos os episódios e no momento estou lendo o primeiro livro "Guerra dos Tronos" das crônicas de gelo e fogo do autor George RR Martin... que deu origem a série. 







CINCO FRASES E CINCO LIVROS DE OLIVER SACKS



Quero conhecer mais sobre Oliver Sacks. Tenho uma terapeuta-psicóloga-amiga que sempre comenta comigo sobre algumas coisas que Sacks defendia. Ela disse que eu vou gostar de ler suas obras e que combinam comigo. Vamos ver! Eu disse que tenho 8 livros que eu comprei recentemente (box das crônicas de gelo e fogo) de George RR  Martin da série da HBO "Game of Thrones", Ostra feliz não faz pérolas e Palavras para desatar nós de Rubem Alves e Madame Bovary de Gustave Flaubert que eu ainda não terminei de lê-los mas que as minhas próximas aquisições seriam alguns títulos de Oliver Sacks. 

Então em homenagem minha amiga Claudia Rabello um post sobre Oliver Sacks



Oliver Sacks foi um dos mais influentes neurocientistas de nosso tempo

Poucos neurocientistas conseguiram um impacto tão grande na cultura mundial quanto Oliver Sacks. Seu estilo bem-humorado e instigante transformou seus livros em campeões de vendas e elevou seu status de pesquisador à celebridade. A adaptação para os cinemas de Tempo de despertar, com Robin Williams e Robert De Niro, ganhou uma indicação ao Oscar em 1991. Ao saber de seu falecimento em 2015, a autora J.K. Rowling homenageou Sacks descrevendo-o como um “grande inspirador da humanidade.”

Ele costumava receber cerca de 10 mil cartas de fãs de todo o mundo anualmente, e fazia questão de priorizar as respostas para remetentes com menos de dez ou mais de 90 anos e para quem estivesse na prisão.

Separamos algumas frases de Oliver Sacks e algumas de suas importantes obras. Confira!

1. “Música pode nos tirar da depressão ou nos levar às lágrimas – é um remédio, um tônico, um suco de laranja para o ouvido. Mas para muitos dos meus pacientes neurológicos, música é ainda mais – ela pode dar acesso, mesmo quando nenhum medicamento consegue, ao movimento, ao discurso, à vida. Para eles, música não é um luxo, mas uma necessidade”.

2. “Ainda que seja meu trabalho como neurologista diagnosticar a doença e pensar no tratamento da doença, eu sempre quis tratar a pessoa tanto quanto a doença e fico muito feliz que o meu médico pense da mesma forma. Eu não sou apenas um trabalho para ele. Eu sou uma pessoa reagindo a uma situação. Dessa forma, eu me coloco entre a visão biológica e humanista”.

3. “Quase inconscientemente, eu me tornei um contador de histórias numa era em que a narrativa médica estava quase extinta. Isso não me desestimulou, já que eu sentia a influência das grandes histórias de estudo de casos neurológicos do século XIX. Eu era solitário mas profundamente realizado na minha existência quase monástica por muitos anos”.

4. “Eu não posso fingir não ter medo. Mas meu sentimento predominante é de gratidão. Eu amei e fui amado; eu me doei muito e muito me foi dado em troca; eu li e viajei e pensei e escrevi. Eu me relacionei com o mundo, o mundo especial de escritores e leitores”.

5. “Acima de tudo, eu sou um ser consciente, um animal pensante, neste lindo planeta e isso, em si, é um enorme privilégio e uma aventura”.
Conheça cinco sucessos da carreira literária do autor:

SEMPRE EM MOVIMENTO 
Quando revelou à família que era homossexual, ouviu de volta da mãe que ele era “uma abominação”. Esta sentença o fez abandonar a Inglaterra e o colocou na estrada. Nessas viagens, cruzando de ponta a ponta um país tão familiar quanto estrangeiro, surgiu o médico que viemos a conhecer: apaixonado, obstinado e perpetuamente curioso com o mundo. Sacks mostra ao leitor como a mesma energia que motiva suas paixões físicas – levantamento de peso e natação – alimenta suas paixões cerebrais. Ele escreve a respeito de seus casos de amor, tanto os românticos quanto os intelectuais, sobre a culpa de abandonar a família para ir aos Estados Unidos, sua ligação com o irmão esquizofrênico e os escritores e cientistas que o influenciaram.


TEMPO DE DESPERTAR
Usando uma nova droga, o neurologista Oliver Sacks conseguiu, entre 1969 e 1972, despertar vários pacientes de encefalite letárgica do estado em que viviam desde o fim da Primeira Guerra Mundial, quando ocorreu um surto da chamada “doença do sono”. Tempo de despertar traz um relato detalhado das experiências neuroantropológicas do autor junto a vítimas desta doença, de seus esforços por tirá-las do letargo e compreender o mundo em que vivem mergulhadas.

 

O HOMEM QUE CONFUNDIU SUA MULHER COM UM CHAPÉU
Nesta obra, Sacks coloca o leitor diante de pacientes que, imersos num mundo de sonhos e deficiências cerebrais, preservam sua imaginação e constroem uma identidade moral própria. Relatos clínicos são intencionalmente transformados em artefatos literários, mostrando que somente a forma narrativa restitui à abstração da doença uma feição humana, desvelando novas realidades para a investigação científica e problematizando os limites entre o físico e o psíquico.


UM ANTROPÓLOGO EM MARTE
O que têm em comum o pintor que, aos 65 anos, passa a enxergar o mundo em preto e branco; o massagista que, cego desde a mais tenra infância, recupera a visão após passar por uma cirurgia; e a mulher autista que não consegue entender os sentimentos humanos, mas se torna uma especialista em comportamento animal? Para o neurologista Oliver Sacks, esses não são apenas casos clínicos extraordinários – antes de mais nada, eles dizem respeito a indivíduos cujas vidas podem nos ajudar a compreender melhor o que somos.


VENDO VOZES
Numa fascinante incursão pelo universo dos surdos, a preocupação de Oliver Sacks não é simplesmente apresentar às pessoas a condição daqueles que não conseguem ouvir. Acompanhando a história, os dramas e as lutas dessas pessoas, o leitor será levado a olhar para o seu próprio cotidiano de um modo inteiramente novo. Será capaz de ouvir, nos sons da linguagem, um pequeno milagre que se repete cada vez que uma nova sentença é proferida.


Outros títulos de Oliver Sacks:


ENXAQUECA

Para a maioria de nós, a enxaqueca é apenas uma forte dor de cabeça que acomete periodicamente certas pessoas. Para Oliver Sacks, ela é muito mais do que isso. É, antes de mais nada, um conjunto extremamente complexo e diversificado de síndromes nas quais a dor de cabeça nem sempre está presente. Além disso, a enxaqueca pode nos fornecer pistas sobre algumas das questões mais fundamentais do ser humano.Primeiro livro de Sacks, Enxaqueca já contém todos os elementos que fizeram o sucesso de suas obras posteriores: conhecimento científico posto a serviço de um estilo único de narração capaz de transformar relatos clínicos em episódios de um maravilhoso romance de suspense.





O OLHAR DA MENTE

Um escritor que perde a capacidade de ler. Uma pianista que confunde um guarda-chuva com uma cobra. Indivíduos que só enxergam imagens bidimensionais ou não reconhecem rostos. Nos casos relatados em O olhar da mente, do neurologista inglês Oliver Sacks, a ciência é sempre vista a partir da experiência humana. Nesse percurso se mesclam, de forma ao mesmo tempo rigorosa e afetiva, informações técnicas sobre distúrbios da memória, da fala e de outras funções cerebrais e a narrativa de suas consequências no dia a dia de pacientes e familiares.



DIÁRIO DE OAXACA
Conhecido por seus relatos clínicos que desvendam grandes mistérios do cérebro humano, Oliver Sacks revela uma nova faceta em seu diário de viagem para o estado de Oaxaca, no México. Durante dez dias, acompanhou um grupo de botânicos e cientistas amadores interessados em conhecer o habitat das samambaias mais raras do mundo. Entre descrições minuciosas da morfologia das plantas e uma ou outra digressão acerca de pássaros e tipos de solo, o texto concentra toda a sua força em desvendar um grande mistério da mente humana: a curiosidade científica. Ao observar de perto o comportamento de seus colegas de excursão, Oliver Sacks revela que a ciência, longe de ser uma seara de cálculos e experimentos, nasce do interesse genuíno e apaixonado de amadores, cuja erudição nem sempre supera a vontade de aprender e descobrir fatos novos.





ALUCINAÇÕES MUSICAIS

A música é uma das experiências humanas mais assombrosas e inesquecíveis, e o novo livro do neurologista e escritor Oliver Sacks, Alucinações musicais, nos faz entender por quê. A exemplo de seus livros anteriores, entre os quais se destacam 'Tempo de despertar' e 'O homem que confundiu sua mulher com um chapéu', Sacks nos oferece aqui histórias musicais cheias de drama e compaixão humana envolvendo pessoas comuns ou portadoras de distúrbios neuroperceptivos. O que se passa com o cérebro humano ao fazer ou ouvir música? Onde exatamente reside o enorme poder, muitas vezes indomável, que a música exerce sobre nós? Essas são algumas das questões que Oliver Sacks explora, em seu estilo cativante, nesta admirável coletânea de casos, mostrando, por exemplo, como a música pode nos induzir a estados emocionais que de outra maneira seriam ignorados por nossa mente, ou ainda evocar memórias supostamente perdidas nos meandros do cérebro. É impossível não se impressionar, por exemplo, com a história do médico que experimenta, depois de ser atingido por um raio, uma irresistível compulsão por música de piano, a ponto de se tornar ele mesmo um pianista. Ou com os casos de “amusia”, uma condição clínica que faz Mozart soar como uma trombada automobilística aos ouvidos da pessoa afetada. Sem contar as histórias de gente acometida dia e noite por alucinações musicais incessantes. O estudo de casos surpreendentes de pessoas com distúrbios neurológicos ou perceptivos ligados à música reitera a crença de Sacks em uma medicina que humaniza o paciente e tenta, junto com a abordagem clínica, integrar as dimensões psicológica, moral e espiritual tanto das afecções quanto de seu tratamento.




A MENTE ASSOMBRADA

Quem nunca fechou os olhos antes de dormir e se deparou com uma série de luzes e manchas? Ou pensou ter ouvido ruídos e vozes que não estavam lá?



TEMPO DE DESPERTAR

Relato detalhado das experiências "neuroantropológicas" do autor junto a vítimas da "doença do sono", de seus esforços por tirá-las do letargo e compreender o mundo em que vivem mergulhadas.




GRATIDÃO

Durante os últimos meses de sua vida, Oliver Sacks escreveu uma série de ensaios nos quais explorou de maneira comovente seu percurso pessoal para concluir a vida e enfrentar a própria morte da melhor forma. Este livro traz quatro textos publicados no New York Times entre julho de 2013 e agosto de 2015, pouco antes de ele morrer. Juntos, formam uma ode à singularidade de cada ser humano e de gratidão pelo dom da vida. Sacks reflete sobre o significado de levar uma existência que valha a pena. “Não consigo fingir que não estou com medo. Mas meu sentimento predominante é a gratidão. Amei e fui amado, recebi muito e dei algo em troca, li, viajei, pensei, escrevi. Tive meu intercurso com o mundo, o intercurso especial dos escritores e leitores.”




A DESPEDIDA DE OLIVER SACKS



Um texto do escritor e neurologista inglês Oliver Sacks, 81, para o jornal “The New York Times”, tem sido muito compartilhado no Facebook. Com o título “My Own Life” (“Minha Própria Vida”, em tradução livre), Sacks anuncia ter câncer terminal, com múltiplas metástases no fígado, e reflete sobre a vida e a morte.

Escritor e neurologista fala sobre seu legado e como vai viver os poucos meses que lhe restam. ‘Não posso fingir que não tenho medo. Mas meu sentimento predominante é de gratidão’

O professor e escritor Oliver Sacks


Oliver Sacks, escritor, neurologista e professor do curso de medicina da Universidade de Nova York, publicou uma carta aberta no jornal americano The New York Times sobre seus últimos meses de vida. Diagnosticado com câncer em fase de metástase, Sacks, de 81 anos, conta que se sentia bem e com saúde, até descobrir a disseminação do tumor pelo seu corpo. "Há nove anos fui diagnosticado com um tumor raro no olho, um melanoma ocular. A radiação e a cirurgia que removeu o tumor me deixaram cego daquele olho, porém, em casos raros ele se torna uma metástase. Eu estou entre os 2% desafortunados", diz no início do texto.



Apesar da doença terminal, Sacks se mostra grato pela vida e fez de sua carta um comovente texto de despedida. 



"Eu me sinto feliz por ter usufruído mais nove anos de boa saúde e produtividade desde o diagnóstico original, mas agora estou face a face com a morte. O câncer ocupa um terço do meu fígado, e mesmo que ele avance devagar, este tipo da doença não pode ser parado."

"Agora, cabe a mim escolher como viver os anos que me restam. Tenho que viver da maneira mais rica, intensa e produtiva possível", diz Sacks antes de citar o filósofo David Hume, que ao descobrir que morreria aos 65 anos, escreveu sua autobiografia em um dia, em 1776. O escritor se diz sortudo por ter vivido mais de 80 anos, tendo trabalhado no que amava e sendo produtivo. 

"Nos últimos 15 anos publiquei cinco livros e terminei minha autobiografia (um pouco maior que as poucas páginas de Hume) que será publicada este ano. Também tenho diversos outros livros quase finalizados."

"Nos últimos dias, pude ver minha vida de outro ângulo, como uma paisagem, e com um forte senso de conexão entre as partes. Isso não significa que me entreguei. Pelo contrário, me sinto intensamente vivo, e eu quero e espero, no tempo que me resta, aprofundar minhas amizades, me despedir das pessoas que amo, escrever mais, viajar se eu tiver forças, e alcançar novos conhecimentos. Mas também haverá tempo para um pouco de diversão (e até algumas tolices)."

"Tenho um novo senso de perspectiva. Não há tempo para o que é trivial. Tenho que focar em mim, no meu trabalho e nos meus amigos", diz o escritor que promete ficar distante do noticiário, da política e dos problemas ambientais em seus últimos meses de vida. "Isto não é indiferença, mas desapego - ainda me importo com o Oriente Médio, com o aquecimento global, com a igualdade, mas estas coisas não são mais para mim, elas pertencem ao futuro. E eu fico feliz de ver jovens talentosos - como o que diagnosticou minha metástase. Sinto que o futuro está em boas mãos."

"Não posso fingir que não tenho medo. Mas meu sentimento predominante é a gratidão. Eu amei e fui amado; doei-me e muito me foi dado; eu li, viajei, pensei e escrevi. Eu me relacionei com o mundo, o relacionamento especial entre escritores e leitores. Acima de tudo, eu fui um ser humano ciente, um animal pensante, neste belo planeta, e só isso já foi um enorme privilégio e aventura", finaliza o escritor.



segunda-feira, 13 de junho de 2016

HOJE 13 DE JUNHO DIA DE SANTO ANTÔNIO E TAMBÉM NASCIMENTO DE FERNANDO PESSOA



Em 13 de junho de 1888 nascia em Lisboa o poeta, escritor, astrólogo, crítico e tradutor Fernando António Nogueira Pessoa. 


AMO AMO AMO AMO AMO AMO AMO AMO

Fernando Pessoa


O mais belo autógrafo de Fernando Pessoa

Um poema do escritor português é descoberto na última página do diário de um intelectual

No baú de Fernando Pessoa não cabe tudo de Fernando Pessoa. Um poema escrito em 1918, quando o escritor tinha 30 anos, foi descoberto no Brasil, segundo o jornal Folha de S. Paulo. Como muitas vezes acontece com as histórias do escritor, o breve poema interessa mais por suas circunstâncias do que pelo texto literário, já publicado, embora em uma versão, como pode ser verificado agora, menos definida.

O advogado brasileiro José Paulo Cavalcanti, maior colecionador de objetos e textos de Pessoa, recebeu de um antiquário uma oferta com um diário de viagens que, em sua última página, incluía um poema de Pessoa. Cavalcanti, autor de Fernando Pessoa, Uma Quase Autobiografia (Editora Record, 2011), o adquiriu para sua coleção sem avaliar a transcendência do poema e se a letra era ou não do genial escritor.

“Cada palavra dita é a voz de um morto”, começa Pessoa. “A verdade é que esse poema é como um sinal do destino, um tiro na consciência”, diz Antonio Sáez Delgado, professor da Universidade de Évora e especialista nas obras de Pessoa.

Em 1913, com 13 anos, o futuro intelectual português José Osório de Castro e Oliveira estava viajando no transatlântico König Wilhelm II, do Rio de Janeiro a Lisboa. Para se distrair durante a travessia, pedia aos viajantes que escrevessem em em seu livro de autógrafos. Era 1913, mas a última página, escrita à mão por Pessoa, data de 1918.

Naqueles tempos, os mares não eram atravessados por muitos navios; de fato, em 1901, Pessoa havia embarcado no mesmo König Wilhelm II para se deslocar da África do Sul a Portugal. Por isso, esse barco e os tempos mais tranquilos tornaram possível que o caderno reunisse depoimentos de vários anos. Também não eram frequentes reuniões de intelectuais, de modo que Osório e Pessoa coincidiram em muitas delas, descobriram que haviam viajado juntos no König e acabaram se tornando bons amigos.

CADA PALAVRA DITA É A VOZ DE UM MORTO...
FERNANDO PESSOA

Cada palavra dita é a voz de um morto.
Aniquilou-se quem se não velou
Quem na voz, não em si, viveu absorto.
Se ser Homem é pouco, e grande só
Em dar voz ao valor das nossas penas
E ao que de sonho e nosso fica em nós
Do universo que por nós roçou
Se é maior ser um Deus, que diz apenas
Com a vida o que o Homem com a voz:
Maior ainda é ser como o Destino
Que tem o silêncio por seu hino
E cuja face nunca se mostrou.

Sáez acrescenta uma coincidência: “Osório era filho de Ana de Castro, republicana e feminista, e um dos contatos mais próximos em Lisboa de Carmen de Burgos, cujo pseudônimo era Colombine, e de Ramón Gómez de la Serna. Na verdade, Colombine também aparece no caderno. Carmen de Burgos publicou uma série de artigos em 1920 e 1921 na revista Cosmópolis, de Madri, dedicados à nova literatura portuguesa e escreve, em As Escritoras, de 1921, sobre Ana de Castro Osório. Um novo elo que coloca Pessoa e os escritores espanhóis no mesmo contexto”.

“Há três ou quatro versões, mas este verso é mais bonito, mais definitivo”, destaca o especialista Joaquín Pizarro

Desvendada a história do livro de autógrafos, resta saber a importância literária. Joaquín Pizarro, autor da versão mais recente de O Livro do Desassossego, organizado em ordem cronológica, confirma a autenticidade do texto e da caligrafia, mas esclarece que não é inédito.

O poema foi publicado pela primeira vez em 2005, pela Casa da Moeda, em Volume de Poesia 1915-1920, que compila 300 poemas. “É uma nova versão, diferente, mais completa, que resolve problemas de leitura, e isso para mim é importante”, destaca Pizarro, que está em Lisboa para dar um seminário na fundação do escritor. “Há três ou quatro versões, mas este verso é mais bonito, mais definitivo.”

Os primeiros dois versos do texto descoberto são iguais aos já publicados, mas os 10 restantes sofreram uma grande mutação, ao ponto de alterar o sentido geral do poema.

“Haverá mais inéditos. A família ainda tem muito material; nem tudo foi leiloado em 2008; estimo que há 800 documentos e alguns estão sendo vendidos por debaixo do pano”

Pizarro afirma que não era raro Pessoa escrever em objetos de outras pessoas. “Por isso utilizava muito os livros de autógrafos. Já temos dois ou três casos, como o livro de assinaturas de Moutinho-Almeida, onde trabalhou, ou em bilhetes com os quais pagava suas águas-ardentes nos bares.”

O colombiano é um dos grandes especialistas em pessoalogia, atualizando edições com base em descobertas nesse baú de originais de Pessoa, que parece infinito. Pizarro revolucionou a pesquisa sobre o escritor ao organizar seus textos de forma cronológica, e não por assunto ou pseudoautores. Nesta semana, Pizarro apresenta nas livrarias de Lisboa sua versão de Obra Completa de Alberto Caeiro, um dos heterônimos nos quais Pessoa se transfigurava.

“Já vejo a descoberta com outra perspectiva”, disse Pizarro, “porque ainda há milhares de inéditos”. “Seria possível publicar um por dia; mas este é interessante por pertencer a uma época em que Pessoa escrevia muito.”





sábado, 11 de junho de 2016

6 COISAS QUE TODO INTROVERTIDO DETESTA OUVIR por Daiana Geremias

Retrato fiel de como somos... Eu sou introvertida! ... não gosto de aparecer e nem de chamar a atenção sobre mim e nem das companhias que estejam comigo. Tenho ‘pavor’ de pessoas chamativas e que precisam chamar a atenção de alguma forma (superego). Discrição e sobriedade são palavras que confortam pessoas como eu introvertidas. Roberta Carrilho



Pessoas são diferentes umas das outras e, por mais óbvio que isso seja, é algo que frequentemente precisa ser lembrado, já percebeu? Tem gente que gosta de fazer mochilão pelo mundo, tem quem encontre ânimo para ir para a balada quatro vezes por semana, tem quem prefira cinema, tem quem curta mesmo é ficar estudando em uma biblioteca. Tem quem prefira sempre sorvete de morango, como eu, e tem quem não vê sentido em um sabor de sorvete que não seja o de chocolate.


Não nos diferenciamos apenas em termos de preferências, cor de cabelo, tamanho do manequim e estilo musical. Somos diferentes também em aspectos comportamentais e, dentro desses padrões psicológicos, existe um grupo de pessoas a quem chamamos de introvertidas. Essa galera não curte multidão nem papinho de elevador, gosta de atividades que exijam criatividade, não é muito de se empolgar com eventos sociais e quase nunca diz alguma coisa sem pensar muito bem antes.

É bem possível que você conheça alguém assim, da mesma maneira que é possível que você mesmo se identifique como uma pessoa introvertida. Infelizmente, os introvertidos são muitas vezes vistos como pessoas metidas, antissociais, antipáticas e esnobes, quando, na verdade, não é nada disso. 

1 – Você está bem?
Não é porque uma pessoa está quieta ou concentrada que ela está mal, triste ou querendo chorar. Ouvir essa pergunta várias vezes ao dia é extremamente irritante, até mesmo porque o introvertido, como qualquer outra pessoa, procura ajuda (de amigos, parceiros, familiares, médicos) se não está bem por algum motivo. Nem toda pessoa expansiva e sorridente o tempo todo está bem também – sempre bom lembrar.

Poderia estar melhor

2 – Se anime!
Apenas palhaços ficam sorrindo o dia inteiro, e possivelmente só porque isso faz parte do trabalho deles, que os remunera financeiramente. Falar para alguém sorrir ou se animar é algo extremamente bizarro, se pensarmos bem. Que tal cada um cuidar do próprio sorriso e não se preocupar tanto com as expressões faciais das outras pessoas?

=)

3 – Me fale sobre você
Essa frase, especialmente quando vinda de alguém do trabalho, com quem a pessoa nem tem muito contato, pode ser extremamente constrangedora. Falar o que sobre si mesmo? Começar pelo dia do nascimento e seguir um cronograma ou explorar a linha dos filmes favoritos e trilhas sonoras ideais para meditação? Falar da família, dos amigos, dos gatos? Contar o sabor favorito de pizza?

Falar o quê?

4 – Venha para a nossa festinha!
Não que introvertidos não aceitem qualquer tipo de convite para eventos sociais, mas receber um deles acaba criando um dilema interno: o introvertido calcula mentalmente quantas pessoas haverá na festa, analisa se vale a pena ir e ficar só uma hora no máximo, sofre com a ideia de não poder ficar em casa e continuar a ler aquele livro do J.M. Simmel. Aceitar convites para eventos sociais é um verdadeiro dilema na vida de um introvertido. Fato!! 

Festinha?

5 – Relaxe!
O que passa na cabeça de uma pessoa que fala para a outra relaxar? Como ela sabe que a criatura não está relaxada? O fato é que introvertidos costumam ouvir isso com frequência, já que muita gente interpreta o comportamento mais quieto como uma espécie de tensão. Deixa a gente contar uma coisa: não tem nada disso, não! A pessoa só está ali, lendo o blog favorito dela, tomando uma xícara de chá. Só porque ela não está numa balada ou show, você não precisa pedir para que ela relaxe.

Não me diga para relaxar!

6 – Você não gosta muito de pessoas, né?
Entendam, caríssimos: introvertidos têm amigos, amam pessoas, namoram, se casam, têm colegas de trabalho e são capazes de conhecer novas pessoas normalmente. A questão é que eles são apenas mais reservados e, definitivamente, não gostam daquelas conversinhas que não levam a lugar algum.

Já reparou em como as pessoas falam sobre o tempo a todo o momento? O introvertido é apenas uma pessoa que olha para fora e pensa “ok, está frio hoje” e acha desnecessário criar diálogos com pessoas aleatórias sobre uma constatação óbvia. Só isso. Agora experimente ter uma conversa sobre algum assunto profundo com um introvertido... Aí a coisa vai longe e todo mundo sai ganhando.

Não, eu prefiro aliens





quinta-feira, 9 de junho de 2016

O QUE MUHAMMAD ALI, MARTIN LUTHER KING JR. E NELSON MANDELA TÊM EM COMUM? Por Gustavo Henrique Freire Barbosa


Como o sistema cuida de neutralizar quem o ameaça, tornando dóceis as personalidades históricas que lutaram contra sua lógica e apagando seus atos subversivos

Nelson Mandela, Muhammad Ali e Martin Luther King Jr. 

Qual a semelhança entre Muhammad Ali, Martin Luther King Jr. e Nelson Mandela? A resposta parece ser óbvia, afinal, trata-se de três personalidades negras de grande proeminência as quais marcaram seus nomes na história por meio de seus feitos, respectivamente, no mundo esportivo, no ativismo em prol do reconhecimento de direitos civis e humanos e na política institucional que derrubou um abjeto regime de segregação racial.

Esta, afinal, é a narrativa adotada pelos meios comerciais e hegemônicos de comunicação para se referir aos três, ignorando na maioria das vezes a considerável contribuição que deram a agendas que não se alinham às premissas do establishment.

As referências ao recente falecimento de Muhammad Ali, por exemplo, vêm se concentrando na sua refinada técnica, incontestável potência e assombrosa velocidade que lhe garantiram lugar de destaque no panteão dos grandes boxeadores. Ali, entretanto, incomodava muito mais fora que dentro dos ringues. Com sua militância contra o racismo, não perdeu a oportunidade de denunciar a forte permanência de uma cultura discriminatória em solo norte-americano, na época expressa também sob a forma da política externa belicista e imperialista dos EUA. Ao se negar de forma categórica a compor as trincheiras de seu país na guerra do Vietnã, provocou: não percorreria dez mil quilômetros para assassinar um país pobre e assim dar continuidade à dominação dos brancos sobre escravos negros. Ademais, nenhum vietcongue o chamara de “crioulo”, afirmou, diferentemente do que ocorre nos EUA. Por seus fortes posicionamentos, Ali acabou sofrendo várias ameaças e chegou a ficar na iminência de ser preso, além de ter sido punido com a confiscação de seus títulos e a cassação de sua licença de boxeador em um momento onde havia vencido até então todas as 29 lutas que fizera, das quais 22 por nocaute.

Em outro momento, meio a uma discussão com jovens estudantes universitários, brancos em sua maioria, desferiu sucessivos jabs nas provocações cuja fonte era o enfadonho discurso oficial de patriotismo e defesa da pátria: “se irei morrer, morrerei aqui, lutando contra vocês. Vocês são meus inimigos. Meus inimigos são os brancos, não os vietcongues, chineses ou japoneses. Vocês são meus opositores quando eu quero liberdade, são meus opositores quando eu quero justiça, são meus opositores quando eu quero igualdade. Vocês sequer se colocariam ao meu lado na América para defender minhas crenças religiosas e querem que eu vá a outro lugar para lutar”.

O constrangimento e ameaça representada por Ali teve uma resposta cinematográfica: a criação de uma franquia onde um boxeador branco — e dócil fora dos ringues — encampava com fervor o sonho americano de superação e trabalho duro rumo ao sucesso — chegando, inclusive, a representar o embate geopolítico da Guerra Fria entre os lídimos valores norte-americanos, derradeiro estágio do desenvolvimento da civilização humana, e a ameaça bolchevique. Sobre Rocky Balboa, Ali afirmou que tem sido um lutador tão excelente que foram obrigados a criar um personagem como o “garanhão italiano” eternizado por Sylvester Stallone, trazendo uma imagem branca nas telas para contrapor à sua imagem nos ringues. “A América tem que ter suas imagens brancas”, concluiu, “não importa do que se trate. Jesus, Mulher Maravilha, Tarzan e Rocky”.

Em mais uma emblemática demonstração de subversão à doxa norte-americana, Ali ignorou o embargo econômico e as restrições de acesso à ilha e pousou em 1998 em Cuba, onde fez questão de se encontrar pessoalmente com Fidel Castro e doar 1,2 milhão de dólares em remédios e suprimentos médicos à terra de Teófilo Stevenson, outro monstro sagrado do boxe, com quem manteve uma relação de admiração e amizade até sua morte em 2012.

Da mesma maneira, Martin Luther King Jr entrou para a história com seu famoso discurso em que afirma ter um sonho, qual seja, o de que seus filhos e filhas vivam um dia em uma nação onde serão julgados pelo seu caráter ao invés da cor de suas peles. King, um destacado militante dos direitos humanos e do reconhecimento de direitos civis dos negros e negras nos Estados Unidos, seria, na esteira das ofensas dirigidas também a Ali, certamente considerado um vitimista por setores da direita hidrófoba e pela horda ensandecida de comentaristas de portais. Entretanto, seria ofendido com muito mais intensidade se pesquisassem o real significado do inofensivo sonho repetido à exaustão em todas as inserções televisivas em que aparece.

King era um declarado adepto da desobediência civil anti-imperialista adotada por Gandhi, e o fazia como tática de resposta à ofensiva conservadora e racista de autoridades e da mídia empresarial às manifestações que organizava contra o sistema e as tradições segregacionistas norte-americanas. Da mesma forma que Ali, posicionou-se contra a Guerra do Vietnã, além de ser um simpatizante de ideais socialistas, não vendo na dinâmica do modo de produção capitalista as possibilidades emancipatórias e libertadoras que alçou como propósito de vida, principalmente no que diz respeito à população afrodescendente.

John Edgar Hoover, o mítico primeiro diretor do FBI e que hoje empresta o nome ao seu quartel-general, foi ao encalço de King. Enxergando-o como uma figura perigosa e subversiva, investigou-o por possíveis ligações com o comunismo soviético, grampeou seus telefones e, em um verdadeiro ato de gangsterismo institucional, chegou a lhe enviar uma carta anônima sugerindo o suicídio, onde constavam, em tom ameaçador, as fitas contendo os áudios dos grampos de suas conversas telefônicas.

King foi assassinado em Memphis, onde havia ido com o objetivo de manifestar apoio à greve de trabalhadores da limpeza urbana. Vê-se a razão da conveniência em não se debruçar sobre o verdadeiro sentido do famoso seu sonho, limitando-se à icônica frase que, fora do contexto, pode significar qualquer coisa. Na esteira da criminalização dos direitos humanos e de seus militantes, King, definitivamente, não seria benquisto por nossos veículos de comunicação oligopolistas.

Na mesma esteira, Nelson Mandela se consagrou como o grande conciliador do século XX, homem provido de inigualável espírito público que, numa sublime demonstração de estadismo, pôs fim ao apartheid sul-africano e deu início à convivência mútua e harmoniosa entre as populações branca e negra da África do Sul. A simpática imagem de um homem sorridente e bem relacionado com outras lideranças foi reproduzida à míngua quando de sua morte, obnubilando seu passado de liderança rebelde, clandestina e revolucionária de inspirações marxistas.

A lista de desafetos de Mandela denuncia o incômodo que representou à ordem colonialista e aos interesses do capitalismo central. Margareth Thatcher o chamava de terrorista juntamente com o CNA, seu partido. Ataques de congressistas britânicos conservadores eram recorrentes, a exemplo de quando Teddy Taylor, ideologicamente alinhado a Thatcher, sugeriu que o líder africano fosse vítima de uma bala.

Nos EUA, Reagan chegou a inserir o CNA na lista de organizações terroristas, afirmando, com todas as palavras, que o regime segregacionista sul-africano era essencial para o mundo o livre. Durante a Guerra Fria, conferiram apoio logístico, financeiro e militar à manutenção do apartheid, ao passo que a União Soviética cerrou fileiras junto à oposição liderada pelo CNA. Mandela, a propósito, sempre demonstrou com entusiasmo sua forte e especial relação de admiração, respeito e gratidão a Fidel Castro e a Cuba, país que também prestou auxílio fundamental à luta contra o apartheid.

Em Problemas no Paraíso, Slavoj Zizek faz uma reflexão pertinente acerca da branda imagem de conciliador com a qual Mandela é comumente representado, arregimentando, praticamente, a unanimidade da opinião pública – e publicada – quanto ao aval acerca do símbolo de luta contra a segregação o qual se tornou. No entanto, em termos substanciais, o fim do apartheid não trouxe significativas mudanças sócio-econômicas para a África do Sul, permanecendo a população negra segregada pelo fosso da desigualdade e das parcas condições materiais de vida. Se houve uma mudança de fato, foi o surgimento de uma elite política e econômica negra, agora integrada aos restritos círculos antes limitados aos brancos. Seria exatamente por essa razão, pelo fato das mudanças terem sido essencialmente simbólicas em detrimento de seu sentido efetivo e substantivo, que Mandela, ao deixar de ser uma ameaça aos alicerces do sistema, consagrou-se com a unanimidade inclusive entre quem um dia o chamou de terrorista, sintoma de sua derrota, portanto, e não de seu êxito.

Com muita frequência as detrações, calúnias, perseguições e ameaças perpetradas por parte de arautos da ordem posta como John Edgar Roover, Margareth Thatcher e Ronald Reagan servem como termômetros referenciais do incômodo causado pelos perseguidos. Outro aspecto que evidencia isto é o processo de desideologização – ou contra-ideologização – ao qual são submetidos nomes cujo furor vulcânico de suas inspirações para lutas emancipatórias do não pode ser contido. É exatamente os casos de Ali, Mandela e Luther King Jr, moldados conforme as conveniências de um sistema feito para manter tudo como está e se apresentar com consectário do melhor dos mundos possíveis. A ignorância quanto a figura Malcolm X, outra grande personalidade negra contemporânea aos três, muçulmano como Ali, socialista como Mandela e líder de movimentos negros de luta por direitos humanos como King, demonstra como a impossibilidade de distorcer e domesticar suas radicais ideias acabou por relegá-lo, quando muito, aos rodapés da historiografia oficial, buscando enterrá-lo sem nome na lápide e ritos fúnebres de reconhecimento de sua luta. Esqueceram, todavia, que não há com desplantar sementes.