quinta-feira, 31 de julho de 2014

MAS SE TU ME CATIVAS MINHA VIDA SERÁ COMO QUE CHEIA DE SOL




'Mas se tu me cativas, minha vida será como que cheia de sol. Conhecerei um barulho de passos que será diferente dos outros. Os outros passos me fazem entrar debaixo da terra, o teu me chamará para fora da toca, como se fosse música'. 
 
O Pequeno Príncipe


segunda-feira, 28 de julho de 2014

PAI NOSSO ESPÍRITA POR EMMANUEL mentor Espiritual do Chico Xavier



Nosso Pai que estais no infinito;
Santificai seja o Seu nome
Em louvor a todas as criaturas.
Vem a nós o Vosso Reino de Paz e Sabedoria;
Seja feita Ó Pai a tua vontade aqui na Terra e
em todos os mundos habitados;

O pão do corpo e da alma dai-nos hoje 
e sempre; Senhor.
Perdoai as nossas dívidas se soubermos perdoar aqueles que por ventura nos deva;
Mas não nos deixeis cair em novos erros.

Ajude-nos a encontrar o caminho do Bem, 
do Amor, da Verdade
da Justiça e da Caridade.
Assim Seja!





UM QUE SE ACHAVA SÁBIO ANDAVA POR UMA RUA PERDIDA E VAZIA - autoria desconhecida




Um que se achava sábio,
andava por uma rua perdida.
Uma rua aberta, porém vazia.
Tudo o que o sábio lá colocava, desaparecia.
Colocava livros, eles sumiam.
Cultivava plantas, morriam.

Tal sábio queria salvar o mundo.
Mas, sua única rua não tinha salvação.

Esse que se dizia sábio, foi embora com suas teorias.
Aquela rua vazia foi habitada por gente que buscava amar.
Nasceram plantas, surgiram livros, brotou sabedoria,
virou bairro, cidade, virou mundo.

Aquele que se dizia sábio, não sorria. 
Achava que por pensar saber, não poderia.
Saber só tem porque,
buscando amar e conviver.
Habite as ruas vazias 
que se escondem em você.



sexta-feira, 25 de julho de 2014

CARTA PARA ARIANO por Matheus Nachtergaele






"Carta para Ariano,

Quem te escreve agora é o Cavalo do teu Grilo. Um dos cavalos do teu Grilo. Aquele que te sente todos os dias, nas ruas, nos bares, nas casas. Toda vez que alguém, homem, mulher, criança ou velho, me acena sorrindo e nos olhos contentes me salva da morte ao me ver Grilo.

Esse que te escreve já foi cavalgado por loucos caubóis: por Jó, cavaleiro sábio que insistia na pergunta primordial. Por Trepliev, infantil édipo de talento transbordante e melancólicas desculpas. Fui domado por cavaleiros de Sheakespeare, de Nelson, de Tchekov. Fui duas vezes cavalgado por Dias Gomes. Adentrei perigosas veredas guiado por Carrière, por Büchner e Yeats. Mas de todos eles, meu favorito foi teu Grilo.

O Grilo colocou em mim rédeas de sisal, sem forçar com ferros minha boca cansada. Sentou-se sem cela e estribo, à pelo e sem chicote, no lombo dolorido de mim e nele descansou. Não corria em cavalgada. Buscava sem fim uma paragem de bom pasto, uma várzea verde entre a secura dos nossos caminhos. Me fazia sorrir tanto que eu, cavalo, não notava a aridez da caminhada. Eu era feliz e magro e desdentado e inteligente. Eu deixava o cavaleiro guiar a marcha e mal percebia a beleza da dor dele. O tamanho da dor dele. O amor que já sentia por ele, e por você, Ariano.

Depois do Grilo de você, e que é você, virei cavalo mimado, que não aceita ser domado, que encontra saídas pelas cêrcas de arame farpado, e encontra sempre uma sombra, um riachinho, um capim bom. Você Ariano, e teu João Grilo, me levaram para onde há verde gramagem eterna. Fui com vocês para a morada dos corações de toda gente daqui desse país bonito e duro.

Depois do Grilo de você, que é você também, que sou eu, fui morar lá no rancho dos arquétipos, onde tem néctar de mel, água fresca e uma sombra brasileira, com rede de chita e tudo. De lá, vê-se a pedra do reino, uns cariris secos e coloridos, uns reis e uns santos. De lá, vejo você na cadeira de balanço de palhinha, contando, todo elegante, uma mesma linda estória pra nós. Um beijo, meu melhor cavaleiro.

Teu,
Matheus Nachtergaele"


A cobertura completa da morte de Ariano Suassuna:
http://diariode.pe/MorreAriano



A MINHA ESPERANÇA É VOCÊ !! SEJA UM DOADOR



EU JÁ SOU! 
E VOCÊ AÍ DO OUTRO LADO JÁ SE CADASTROU?

PROCURE UM HEMOMINAS E FAÇA PARTE 
DESTA CORRENTE DO BEM
ROBERTA CARRILHO



Seja um doador de medula óssea e ajude a salvar vidas 




quarta-feira, 23 de julho de 2014

DEPOIS DE TODAS AS TEMPESTADES E NAUFRÁGIOS O QUE FICA DE MIM E EM MIM É CADA VEZ MAIS ESSENCIAL E VERDADEIRO por Caio F. Abreu



"... Depois de todas as tempestades e naufrágios o que fica de mim e em mim é cada vez mais essencial e verdadeiro."

Caio F. Abreu

EU JÁ VIVI PARA OS OUTROS, SOFRI TANTO QUE MORRI, AÍ NASCI PARA MIM por Janaina Cavallin



Eu já vivi para os outros... Sofri tanto que morri... Ai nasci para mim... 

Eu quero ser feliz, apesar das regras, dos desencantos, dos cartazes gritantes de inveja, dos tolos que querem mapear minha vida...

Já morri muitas vezes a morte alheia, já chorei lágrimas que não eram minhas, cantei canções com melodias tristes para atender a quem pedia, declamei versos ao inverso do que sou.

Mas ser o que queriam que eu fosse me fez exausta, mal tinha forças para encontrar meus pedaços ao fim do dia. Minha alma sangrava e eu morria.

Por fim, num corpo exaurido, eis que trêmula, eu renascia.
Para entender que agora sou eu, somente minha ideologia comanda meu caminho. Para mim vivo... Somente para minha particular utopia

Luz para todos!

Janaina Cavallin



UM DIA OUVI QUE EU ERA A PESSOA MAIS IMPORTANTE PARA ALGUÉM por Marla de Queiroz



Um dia ouvi que eu era a pessoa mais importante para alguém. Na época, aquilo era essencial para mim: ser promovida pela reciprocidade. E o tempo, imperador dos destinos todos, desgastou os mármores, mas manteve intacto aquele amor: ele sobreviveu à relação finda. E eu perdera o meu alto cargo de importância para aquele alguém. Convalescente, mas em recuperação da suposta infelicidade de um ego magoado, tive que descobrir outra forma de amor: uma espécie rara que dá perenidade ao bem-estar e põe o ego em seu lugar. Eu me tornei a pessoa mais importante para mim. Quem poderia me tomar isto? O tempo? Hoje, as pessoas vão e vêm. Recebo-as, rejeito-as, tolero ou amo. A poesia não me tira os sentimentos vis, nem as doçuras de um ser humano. Um dia me chamaram de radical. Aceitei: só eu sei a importância que as coisas têm para mim e o propósito de mantê-las ou não na minha vida. Em outra ocasião, me chamaram de amorosa. Compreendi: pessoas amoráveis extraem o que tenho de melhor. Já me disseram que pareço um personagem. Entendi: sendo povoada por tantas, quão imprevisível posso ser na liberdade que me permito ter. Não me importo com o que julgam, sempre serei espelho e sempre terei o Outro como meu espelho. Somos extensão. Estejamos ou não em harmonia ou comunhão, dedico carinhosamente o meu tempo compartilhando minha nudez. Aos que veem máscaras e vestes, sou impotente a estas leituras. Aos que veem generosidade e amparo, sou impotente à beleza que me dão. Sou impotente ao olhar alheio. Não tenho o controle de absolutamente nada, mas o meu trabalho consiste em eu não me rejeitar.

Diariamente eu fortaleço minha autoestima assim: 
Hoje, nem que seja apenas hoje, eu sou a pessoa mais importante para mim.
Que assim eu esteja.
Que assim seja.

Marla de Queiroz


ADEUS SUASSUNA ...


Estou novamente triste... mais um autor dileto se vai ...
Quantas perdas para a nossa literatura. Grandes autores estão regressando para a Pátria Espiritual... a verdadeira morada. Muita Luz Ariano Suassuna em sua nova etapa de existência... Sentirei saudades! 
Roberta Carrilho

Morre escritor Ariano Suassuna, aos 87 anos, em Recife - O escritor estava internado no Real Hospital Português, em Recife, desde à noite de segunda (21) após sofrer um AVC

O escritor foi internado na Unidade de Tratamento Intensivo (UTI) do Real Hospital Português, em Recife (PE), na noite desta segunda-feira (21) após sofrer um acidente vascular cerebral (AVC). Ele estava em coma e respirava com ajuda de aparelhos.

Ariano Suassuna nasceu em João Pessoa, em 16 de junho de 1927. Seu pai, João Suassuna, governou o estado da Paraíba entre 1924 e 1928 e foi assassinado no Rio de Janeiro em consequência da Revolução de 1930, quando Ariano tinha apenas 3 anos.

No mesmo ano, sua mãe voltou com os 9 filhos para uma cidade no sertão da Paraíba, Taperoá, onde o escritor começou a frequentar a escola. Doze anos depois, a família se mudou para Recife e, em 1946, Ariano entrou na Faculdade de Direito.

Seu interesse por teatro se manifestou logo. Ainda na faculdade, Suassuna fundou com outros colegas o Teatro do Estudante Pernambucano e escreveu sua primeira peça, “Uma mulher vestida de sol”, que foi premiada.

Formou-se em 1950, mas nunca abandonou seu interesse pelo teatro. Produziu diversas peças neste período e seu maior sucesso, “O Auto da Compadecida”, foi escrita em 1955.

Com ela, o autor ganhou prêmios e projeção nacional e internacional. O texto foi traduzido para nove idiomas e adaptado para o cinema pelo diretor Guel Arraes em 2000.

Em 1957, Ariano se casou com Zélia de Andrade Lima, com a qual teve seis filhos. Foi membro fundador do Conselho Federal de Cultura, do qual fez parte de 1967 a 1973 e do Conselho Estadual de Cultura de Pernambuco, no período de 1968 a 1972.

Em 1969, foi nomeado Diretor do Departamento de Extensão Cultural da Universidade Federal de Pernambuco - UFPE, ficando no cargo até 1974.

Seu interesse pela cultura o fez lançar em Recife, em 1970, o “Movimento Armorial”, que buscava o desenvolvimento e o conhecimento das formas de expressão populares tradicionais.

O escritor também foi Secretário de Educação e Cultura do Recife de 1975 a 1978 e professor da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) por mais de 30 anos, onde ensinou Estética e Teoria do Teatro, Literatura Brasileira e História da Cultura Brasileira. Ariano Suassuna era membro da Academia Brasileira de Letras (ABL) desde 1989. 


BIOGRAFIA 
Nascido em 16 de junho de 1927 em Nossa Senhora das Neves, hoje João Pessoa, capital da Paraíba, Ariano Vilar Suassuna era filho de João Suassuna, então governador de seu estado natal. Com o fim do mandato, um ano depois, toda a família se mudou para o interior.

O velho contador de histórias do sertão tinha apenas 3 anos quando um fato trágico marcou sua infância. No desenrolar da Revolução de 1930, um pistoleiro de aluguel assassinou seu pai com um tiro pelas costas, numa rua do Rio de Janeiro.

O assassinato foi motivado por boatos que apontavam o patriarca da família Suassuna como mandante da morte de João Pessoa, seu sucessor no governo, fato que serviu de estopim para a revolução. Um ambiente assim, com dívidas de sangue e rivalidade entre famílias, cobrava dos órfãos a vingança. Mas, um dia antes de ser assassinado, João Suassuna deixou uma carta aos nove filhos pedindo que eles não se tornassem assassinos por sua causa.

UMA BIBLIOTECA DE HERANÇA

Matheus Nachtergaele e Selton Mello na versão de "Auto da Compadecida" para o cinema dirigida por Guel Arraes no ano 2000 - Divulgação/Nelson di Rago

Ariano Suassuna obedeceu. Em vez disso, dizia estar perto de perdoar os criminosos que mataram seu pai. A mãe e viúva também ajudou, ao dizer que o pistoleiro responsável pelo crime já havia morrido (era mentira). Com a tragédia, a família mudou-se para a pequena cidade de Taperoá, no interior da Paraíba. E Ariano herdou a biblioteca do pai, onde encontrou livros importantes para sua formação. Um dos mais importantes, sem dúvida, foi “Os sertões”, de Euclides da Cunha. A obra lhe apresentou um dos personagens que mais marcaram sua vida: Antônio Conselheiro, profeta e líder de Canudos.

Em 1942, Suassuna foi para Recife concluir o ensino básico. Anos depois, na faculdade de Direito, ajudou a fundar o Teatro do Estudante de Pernambuco. Em 1947, encenou sua primeira peça: “Uma mulher vestida de sol”. Nove anos depois, levaria aos palcos seu texto mais conhecido, “Auto da Compadecida”, que ganharia adaptações na TV e no cinema.

Por causa do teatro, deixou o Direito de lado seis anos após ter se formado. O romance surgiu mais tarde em sua vida. Em 1971, Ariano Suassuna lançou seu “Romance d’a pedra do reino e o príncipe do sangue vai-e-volta”, com nome comprido como seus cordéis tão adorados e pensado para ser uma trilogia. Com o livro, o escritor avança em relação à literatura regionalista dos anos 1930, representada por João Guimarães Rosa e José Lins do Rego. Mais tarde, Ariano Suassuna diria que “A pedra do reino” era, de certa forma, uma tentativa de trazer seu pai de volta à vida.

Havia quem acusasse o escritor de lutar contra moinhos de vento: o escritor se apresentava como um defensor da cultura popular brasileira, contra a invasão da indústria cultural norte-americana. Falava mal de Madonna e Michael Jackson. Não à toa, quando foi secretário de Cultura do governo Miguel Arraes, nos anos 1990, tornou-se um ferrenho opositor do maracatu eletrônico e do manguebeat. Ele se recusava, por exemplo, a chamar Chico Science, o vocalista da Nação Zumbi, pelo nome artístico. Dizia “Chico Ciência”.


A defesa da cultura nacional, que muitas vezes lhe rendeu o rótulo de xenófobo, já vinha no sangue e no nome da família. Na onda nacionalista depois da Independência, em 1822, vários brasileiros adotaram nomes indígenas. Seu bisavô Raimundo Sales Cavalcanti de Albuquerque escolheu Suassuna, de origem tupi, e nome de um riacho da região onde a família vivia. Nos anos 1970, fazendo jus ao nacionalismo da linhagem, Ariano fundou o Movimento Armorial, que defendia a criação de uma cultura erudita com bases na cultura popular — e toda a sua obra orbita em torno desse ideal. 

Em 1989, o sertanejo foi eleito para a cadeira de número 32 da Academia Brasileira de Letras, cujo patrono era Araújo Porto-Alegre. Sexto ocupante da cadeira, Suassuna nunca foi um imortal de frequentar os eventos da instituição. Era uma espécie de filho pródigo da ABL.

NOVA OBRA VINHA SENDO ESCRITA HÁ MAIS DE 20 ANOS

Para além de sua obra, o escritor paraibano ficou famoso também por dar aulas em que dissecava a cultura brasileira, as suas origens ibéricas, a tradição dos violeiros, dos cantadores, das rabecas, dos cordéis. Eram aulas-espetáculo. E a última foi na sexta-feira passada, no 24º Festival de Inverno de Garanhuns, a 230 quilômetros de Recife. O Teatro Luiz Souto Dourado ficou lotado, como sempre acontecia nesses eventos. Um dos motivos de tanto sucesso era o bom humor do escritor, uma de suas marcas. Não que tenha sido sempre assim. Suassuna atribuía o aparecimento do humor em sua vida ao encontro com Zélia, sua mulher há mais de 50 anos. Para Suassuna, ela havia “desatado alguma coisa” dentro dele. “O riso a cavalo e o galope do sonho são as duas armas de que disponho para enfrentar a dura tarefa de viver”, escreveu em “A pedra do reino”.

Ariano Suassuna e sua mulher, Zélia, em março de 2000 - Agência O Globo/Josenildo Tenório/6-3-2000

Ariano Suassuna trabalhava em um novo livro havia mais de 20 anos, e dizia estar longe de terminar. Não era para menos. Seu processo de criação era lento: escrevia e reescrevia, várias vezes, à mão. Depois, copiava para a máquina de escrever e, só então, corrigia. Era aí que o escritor passava tudo a limpo, novamente à mão. Às vezes, descartava todo o material e voltava ao começo do processo. Como ilustrava os próprios livros e ainda parava para dar suas famosas aulas-espetáculo pelo país, demorava mais ainda. Sem título, o romance seria a continuação de “A pedra do reino”.


Além do amor pela literatura, havia espaço para o futebol: seu time do coração era o Sport Club do Recife, que até o homenageou em seu uniforme em 2013 com uma frase que ele costumava repetir: "Felicidade é ser Sport". Suassuna tinha fama de pé quente.

Entre as muitas homenagens que recebeu, uma das que mais o marcaram foi o desfile da escola de samba Império Serrano, que levou para a avenida o enredo "Aclamação e coroação do imperador da pedra do reino Ariano Suassuna", em 2002. "Um escritor que ama o seu país não pode querer homenagem maior que esta", disse.

Em 2007, ele assumiu a secretaria de Cultura de Pernambuco a convite do governador Eduardo Campos, e chegou a ocupar outros cargos até deixar o governo recentemente, em abril de 2014.

O ano de 2007 também foi marcado pela celebração dos 80 anos do escritor em todo o Brasil. As homenagens o levaram a viajar de Norte a Sul do país. Uma epopeia para um homem que, além de apreciar o sossego, detestava avião. Mesmo assim, o apaixonado e muitas vezes polêmico defensor da cultura popular brasileira seguia adiante. Mas brincava: se soubesse que chegar aos 80 anos daria tanto trabalho, teria ficado nos 79.

Fonte: Estadão, Globo entre outros... 




segunda-feira, 21 de julho de 2014

COMO IRRITAR INTELECTUALÓIDES - MUITO BOA! RISOS!




Pseudo-intelectual (ou intelectualóide, ou sabichão, como preferir) é aquela pessoa xarope que acredita que é muito mais inteligente que você, que acredita ter uma sabedoria do tamanho do saco do King Kong e que é culta o suficiente para rejeitar a opinião de todos os outros. Normalmente essa figura lê dois ou três livros sobre determinado assunto e aí já posa de PHD da sabedoria magnânima dos monges de cérebro avantajado. E ele não está nem aí pra tua opinião. Tudo o que você disser está errado, pois o único que sabe das coisas é ele. Pelo menos é o que ele pensa. Olha, não adianta você querer enfrentar esses pseudo-sabichões de cabeça de repolho roxo. É pura perda de tempo. Pois mesmo que estejam falando uma baita asneira, eles irão sempre achar que estão corretos e que você é um banana. Entonces, você tem apenas duas opções quando se deparar com um destes espécimes toscos da natureza humana:

Opção 1: Você pode ignorá-lo;
Opção 2: Você pode irritá-lo;
Opção 3: Não tem opção.

3. Eu disse que são só duas opções. 

Obviamente, a opção mais divertida é a 2. Por isso cito abaixo algumas sugestões de como irritar um intelectualóide da vida, de acordo com sua classificação: 

O intelectualóide do tipo "sabe-tudo": É aquele carinha que faz uma pergunta, ele mesmo a responde, e depois diz a você detalhadamente qual é o problema. É assinante da revista Veja e toda semana faz questão de puxar conversa sobre algum assunto que foi publicado nesta revista, só pra mostrar que está por dentro das notícias e que sabe mais que você. 

Como irritá-lo: É fácil. Quando ele disser algo do tipo "vocês viram que descobriram água na Lua?", faça a ele uma série de perguntas complicadas e idiotas, do tipo "que legal, mas me diz, é água do tipo didróxido de oxigênio com isótopo de trítio ou com isóbaro de bário"? Ou pergunte algo como "o detector usado era do tipo interferômetro de múons catódicos ou usaram um perfilador dióptrico de laser amarelo"? Depois de duas ou três perguntas ridículas deste tipo ele vai se enrolar todo, não vai conseguir responder e acabará fazendo papel de tonto que não sabe xongas patavinas. Não perca a chance de dizer "pô meu. Cumé que tu lê uma notícia e não sabe nenhum detalhe? Na próxima vez vê se procura se informar melhor!" 

O revolucionário: Na maioria das vezes é um estudante universitário de Ciências Sociais ou artes plásticas, usa chinelo do tipo alpargatas e camiseta do Che Guevara ou do Bob Marley. Diz que votou na Heloísa Helena, é chegado num fuminho do capeta e só anda com mulher feia.

Como irritá-lo: Diga que maconha faz mal e que deveriam exportar os cubanos para a Rússia, transformando Cuba num gigantesco parque temático exclusivo para os ricos, como fizeram em Dubai. 

O "literato": É aquele mameluco que fala devagar, com as palavras cuidadosamente escolhidas para que o texto esteja perfeitamente de acordo com as regras gramaticais. Adora recitar trechos de poemas e costuma enfiar frases de Freud ou Marx no meio de qualquer assunto, mesmo que o assunto seja cerveja ou mulher pelada. Tá na cara que é viado. Considera o fim do mundo quando alguém escreve qualquer coisa incorretamente.

Como irritá-lo: Diga que o último livro que leu foi "O Pequeno Príncipe do Maquiavel" ou "O menino do dedo verde", e que o melhor escritor do mundo é o Paulo Coelho. Ah sim. E complemente dizendo que uma vez entrou numa biblioteca, mas fez isso só porque a atendente era mó gostosona. 

O "senhor recursos-humanos": É aquele MALA que só fala sobre eficiência no trabalho e costuma enfiar expressões em inglês no meio de frases em português. Transforma qualquer happy hour de empresa numa palestra sobre empregabilidade e ainda pede o "feedback". Além dos livros de auto-ajuda, tem centenas de vídeos sobre sucesso profissional e vendas. Não é vaidoso, apenas faz seu "marketing pessoal" e não tem amigos, apenas seu "Networking".

Como irritá-lo: Pergunte a ele o que ele faz nas férias, e depois responda que a primeira coisa que você faz depois das férias é pegar a folhinha com o calendário do próximo ano e marcar com caneta vermelha todos os feriados. Espere ele chegar na parte mais empolgante da conversação e então o interrompa fingindo que precisa atender o celular. Repita isso sucessivamente, sempre nos momentos em que ele começar com esse papinho de eficácia e sinergia corporativa. Depois de atender o celular, diga apenas "ah, era engano. Mas e o Flamengo, como anda?" 

"O místico": Enche sua casa de gnomos, incensos, livros sobre vidas passadas, patuás, jogos de tarô e cds da Enya. Fazem questão de sempre demonstrar calma, mas são os primeiros a dar chilique. Seguem uma média de quinze religiões diferentes, fora as sete que ainda está conhecendo.

Como irritá-lo: Fácil, quebre algum duende dele. Ou diga: "Não creio que você acredita nessas coisas."

O "cosmopolita": Sempre que vê algo que acha errado, diz: "na França não é assim" ou "Em Nova York, o dono que não limpar a merda do cachorro vai preso". Ao fazer um crítica começa com "Esse é um problema do brasileiro...". Apesar de nunca ter saído do Brasil, sabe das leis de todos os países do mundo, e são todas melhores do que as do Brasil.

Como irritá-lo: Diga que o francês é porco, o americano arrogante e que é brasileiro e não desiste nunca. 

O tecnoplasta: Normalmente é um piazão. Sabe tudo sobre informática, TV de última geração, câmeras, celulares, pendrives, HDS e toda essa parafernália eletrônica. Naturalmente, tudo o que ele compra é muito melhor que o aparelho que você tem.

Como irritá-lo: Para tudo que ele disser, responda dizendo que seu pai trouxe do Paraguai um aparelho igualzinho, que faz a mesma coisa, só que custou metade do preço e é enfeitado com LEDS piscantes. 

O técnico: É aquele cara que fez um curso de engenharia, encanador, marketing, frentista, datilografia ou qualquer outro curso e agora fica achando que todo mundo é obrigado a saber os termos técnicos que ele faz questão de usar no dia-a-dia.

Como irritá-lo: Sempre que ele corrigi-lo sobre um termo técnico, comece a repetir insistentemente a palavra citada, como um papagaio. Por exemplo, se você disse "preciso trocar a lente da minha câmera fotográfica" e o xarope te corrige dizendo que "não é lente, o nome certo é objetiva", retruque com frases como essa: "Pois então, eu tenho uma câmera com uma OBJETIVA, e vi que a OBJETIVA está arranhada. Como a minha OBJETIVA está arranhada, pensei em procurar OBJETIVAS na internet com o objetivo de ter uma OBJETIVA melhor que a OBJETIVA que tenho hoje". 

Mas atenção: Não esqueça de falar a palavra "objetiva" de forma destacada (mais alto e mais devagar, como se estivesse soletrando, e olhe pro xarope somente quando falar esta palavra). Isso certamente vai deixar o cara revoltado. Risos!


AMIZADE É ...

Amizade é muito mais do que dá um bom dia, um boa tarde... Amizade é cumplicidade, afinidade, são duas almas um só coração. Para ser amigo é preciso aceitar seus defeitos, admirar suas qualidades, não acontece do dia para noite, São anos de conhecimento de parceria, é um relacionamento saudável, importante, irmãos que Deus nos permite escolher...



QUEM ME CONHECE DE VERDADE, SABE O SIGNIFICADO DO MEU SILÊNCIO




ORAÇÃO PELOS ANIMAIS DE SÃO FRANCISCO DE ASSIS



Ouça a nossa humilde oração, ó São Francisco, para os nossos amigos, os animais, especialmente para animais que sofrem; para os animais que estão desnutridos e cruelmente tratados; para todas as criaturas melancólicas em cativeiro, para os que nascem nas ruas, os perdidos, abandonados, com medo, com fome; por todos os que estejam diante da morte.

Suplicamos para todos eles a Tua misericórdia e piedade, e para aqueles que lidam com eles pedimos compaixão, respeito que enxerguem vidas e tenham mãos suaves e palavras gentis.

Faça-nos, a nós mesmos, para sermos verdadeiros amigos para animais, e assim compartilhar as bênçãos do misericordioso.

São Francisco de Assis nos dê a Sua proteção, nos dê a Sua Paz.


domingo, 20 de julho de 2014

VÍDEO SENSACIONAL - MUITO BACANA!!!!



uaaaaau que lindo






DIA 20 DE JULHO - FELIZ DIA DO(A) AMIGO(A)

OBRIGADA PELA AMIZADE. 
FELIZ DIA DOS AMIGOS(AS) E SEGUIDORES(AS) !!

ROBERTA CARRILHO



NÃO RECEIE O ESPIRITISMO por Grupo Espírita Seara do Mestre



O Espiritismo Kardecismo tem como modelo Jesus. Suas atividades são inteiramente gratuitas e direcionadas exclusivamente ao Bem.

Pugna pela ética e pelo amor posto em ação, ao entender que nesses valores estão os fundamentos da própria vida e a ciência do bem-viver.

Ensina que não estamos precisando nos salvar, porque ninguém está perdido, mas sim evoluir, conforme o Mestre exortou: “Sede perfeitos como perfeito é o vosso Pai Celestial”, lembrando que essa perfeição será alcançada através das lutas, dores e alegrias em incontáveis experiências ao longo das reencarnações.

É o Consolador prometido por Jesus, mostrando que nossos entes queridos não se extinguiram com a morte, mas passaram para outra dimensão de vida e que podem, eventualmente, comunicar-se conosco através da mediunidade.

Estuda e conhece a mediunidade, aplicando-a na ajuda a espíritos sofredores, a pessoas necessitadas e para receber orientações e esclarecimentos dos espíritos benfeitores.

Não usa rituais, paramentos, nem materiais como velas, defumadores ou imagens, por entender que o caminho para a luz está em nossa vivência e não em práticas exteriores.

Não adota práticas adivinhatórias como “baralho”, “jogo de búzios” ou assemelhados, informando que os espíritos superiores não se prestam a solucionar problemas do cotidiano, posto que não são nossos empregados, nem babás, mas sábios educadores trabalhando pela nossa evolução.

Também não realiza “trabalhos” como “desmanches” ou “abertura de caminhos”, mas ensina que a vivência no bem nos livra de inúmeros males.

Foi codificado por Allan Kardec na metade do século passado, através de perguntas respondidas por espíritos superiores, e seus conceitos continuam sendo pesquisados por inúmeras universidades, estudiosos e cientistas, assim como profissionais da saúde em vários pontos do planeta, que os vêm confirmando um a um.


sábado, 19 de julho de 2014

A SOLIDÃO AMIGA - RUBEM ALVES - MINHA SINGELA HOMENAGEM.... já estou sentindo triste, só e com saudades...




A solidão amiga

A noite chegou, o trabalho acabou, é hora de voltar para casa. Lar, doce lar? Mas a casa está escura, a televisão apagada e tudo é silêncio. Ninguém para abrir a porta, ninguém à espera. Você está só. Vem a tristeza da solidão... O que mais você deseja é não estar em solidão...

Mas deixa que eu lhe diga: sua tristeza não vem da solidão. Vem das fantasias que surgem na solidão. Lembro-me de um jovem que amava a solidão: ficar sozinho, ler, ouvir, música... Assim, aos sábados, ele se preparava para uma noite de solidão feliz. Mas bastava que ele se assentasse para que as fantasias surgissem. Cenas. De um lado, amigos em festas felizes, em meio ao falatório, os risos, a cervejinha. Aí a cena se alterava: ele, sozinho naquela sala. Com certeza ninguém estava se lembrando dele. Naquela festa feliz, quem se lembraria dele? E aí a tristeza entrava e ele não mais podia curtir a sua amiga solidão. O remédio era sair, encontrar-se com a turma para encontrar a alegria da festa. Vestia-se, saía, ia para a festa... Mas na festa ele percebia que festas reais não são iguais às festas imaginadas. Era um desencontro, uma impossibilidade de compartilhar as coisas da sua solidão... A noite estava perdida.

Faço-lhe uma sugestão: leia o livro A chama de uma vela, de Bachelard. É um dos livros mais solitários e mais bonitos que jamais li. A chama de uma vela, por oposição às luzes das lâmpadas elétricas, é sempre solitária. A chama de uma vela cria, ao seu redor, um círculo de claridade mansa que se perde nas sombras. Bachelard medita diante da chama solitária de uma vela. Ao seu redor, as sombras e o silêncio. Nenhum falatório bobo ou riso fácil para perturbar a verdade da sua alma. Lendo o livro solitário de Bachelard eu encontrei comunhão. Sempre encontro comunhão quando o leio. As grandes comunhões não acontecem em meio aos risos da festa. Elas acontecem, paradoxalmente, na ausência do outro. Quem ama sabe disso. É precisamente na ausência que a proximidade é maior. Bachelard, ausente: eu o abracei agradecido por ele assim me entender tão bem. Como ele observa, "parece que há em nós cantos sombrios que toleram apenas uma luz bruxoleante. Um coração sensível gosta de valores frágeis". A vela solitária de Bachelard iluminou meus cantos sombrios, fez-me ver os objetos que se escondem quando há mais gente na cena. E ele faz uma pergunta que julgo fundamental e que proponho a você, como motivo de meditação: "Como se comporta a Sua Solidão?" Minha solidão? Há uma solidão que é minha, diferente das solidões dos outros? A solidão se comporta? Se a minha solidão se comporta, ela não é apenas uma realidade bruta e morta. Ela tem vida.

Entre as muitas coisas profundas que Sartre disse, essa é a que mais amo: "Não importa o que fizeram com você. O que importa é o que você faz com aquilo que fizeram com você." Pare. Leia de novo. E pense. Você lamenta essa maldade que a vida está fazendo com você, a solidão. Se Sartre está certo, essa maldade pode ser o lugar onde você vai plantar o seu jardim.

Como é que a sua solidão se comporta? Ou, talvez, dando um giro na pergunta: Como você se comporta com a sua solidão? O que é que você está fazendo com a sua solidão? Quando você a lamenta, você está dizendo que gostaria de se livrar dela, que ela é um sofrimento, uma doença, uma inimiga... Aprenda isso: as coisas são os nomes que lhe damos. Se chamo minha solidão de inimiga, ela será minha inimiga. Mas será possível chamá-la de amiga? Drummond acha que sim: "Por muito tempo achei que a ausência é falta./ E lastimava, ignorante, a falta./ Hoje não a lastimo./ Não há falta na ausência. A ausência é um estar em mim./ E sinto-a, branca, tão pegada, aconchegada nos meus braços,/ que rio e danço e invento exclamações alegres,/ porque a ausência, essa ausência assimilada,/ ninguém a rouba mais de mim.!"

Nietzsche também tinha a solidão como sua companheira. Sozinho, doente, tinha enxaquecas terríveis que duravam três dias e o deixavam cego. Ele tirava suas alegrias de longas caminhadas pelas montanhas, da música e de uns poucos livros que ele amava. Eis aí três companheiras maravilhosas! Vejo, frequentemente, pessoas que caminham por razões da saúde. Incapazes de caminhar sozinhas, vão aos pares, aos bandos. E vão falando, falando, sem ver o mundo maravilhoso que as cerca. Falam porque não suportariam caminhar sozinhas. E, por isso mesmo, perdem a maior alegria das caminhadas, que é a alegria de estar em comunhão com a natureza. Elas não vêem as árvores, nem as flores, nem as nuvens e nem sentem o vento. Que troca infeliz! Trocam as vozes do silêncio pelo falatório vulgar. Se estivessem a sós com a natureza, em silêncio, sua solidão tornaria possível que elas ouvissem o que a natureza tem a dizer. O estar juntos não quer dizer comunhão. O estar juntos, frequentemente, é uma forma terrível de solidão, um artifício para evitar o contato conosco mesmos. Sartre chegou ao ponto de dizer que "o inferno é o outro." Sobre isso, quem sabe, conversaremos outro dia... Mas, voltando a Nietzsche, eis o que ele escreveu sobre a sua solidão:

"Ó solidão! Solidão, meu lar!... Tua voz - ela me fala com ternura e felicidade!

Não discutimos, não queixamos e muitas vezes caminhamos juntos através de portas abertas.

Pois onde quer que estás, ali as coisas são abertas e luminosas. E até mesmo as horas caminham com pés saltitantes.

Ali as palavras e os tempos/poemas de todo o ser se abrem diante de mim. Ali todo ser deseja transformar-se em palavra, e toda mudança pede para aprender de mim a falar."

E o Vinícius? Você se lembra do seu poema O operário em construção? Vivia o operário em meio a muita gente, trabalhando, falando. E enquanto ele trabalhava e falava ele nada via, nada compreendia. Mas aconteceu que, "certo dia, à mesa, ao cortar o pão, o operário foi tomado de uma súbita emoção ao constatar assombrado que tudo naquela casa - garrafa, prato, facão - era ele que os fazia, ele, um humilde operário, um operário em construção (...) Ah! Homens de pensamento, não sabereis nunca o quando aquele humilde operário soube naquele momento! Naquela casa vazia que ele mesmo levantara, um mundo novo nascia de que nem sequer suspeitava. O operário emocionado olhou sua própria mão, sua rude mão de operário, e olhando bem para ela teve um segundo a impressão de que não havia no mundo coisa que fosse mais bela. Foi dentro da compreensão desse instante solitário que, tal sua construção, cresceu também o operário. (...) E o operário adquiriu uma nova dimensão: a dimensão da poesia."

Rainer Maria Rilke, um dos poetas mais solitários e densos que conheço, disse o seguinte: "As obras de arte são de uma solidão infinita." É na solidão que elas são geradas. Foi na casa vazia, num momento solitário, que o operário viu o mundo pela primeira vez e se transformou em poeta.

E me lembro também de Cecília Meireles, tão lindamente descrita por Drummond:

"...Não me parecia criatura inquestionavelmente real; e por mais que aferisse os traços positivos de sua presença entre nós, marcada por gestos de cortesia e sociabilidade, restava-me a impressão de que ela não estava onde nós a víamos... Distância, exílio e viagem transpareciam no seu sorriso benevolente? Por onde erraria a verdadeira Cecília..."

Sim, lá estava ela delicadamente entre os outros, participando de um jogo de relações gregárias que a delicadeza a obrigava a jogar. Mas a verdadeira Cecília estava longe, muito longe, num lugar onde ela estava irremediavelmente sozinha.

O primeiro filósofo que li, o dinamarquês Soeren Kiekeggard, um solitário que me faz companhia até hoje, observou que o início da infelicidade humana se encontra na comparação. Experimentei isso em minha própria carne. Foi quando eu, menino caipira de uma cidadezinha do interior de Minas, me mudei para o Rio de Janeiro, que conheci a infelicidade. Comparei-me com eles: cariocas, espertos, bem falantes, ricos. Eu diferente, sotaque ridículo, gaguejando de vergonha, pobre: entre eles eu não passava de um patinho feio que os outros se compraziam em bicar. Nunca fui convidado a ir à casa de qualquer um deles. Nunca convidei nenhum deles a ir à minha casa. Eu não me atreveria. Conheci, então, a solidão. A solidão de ser diferente. E sofri muito. E nem sequer me atrevi a compartilhar com meus pais esse meu sofrimento. Seria inútil. Eles não compreenderiam. E mesmo que compreendessem, eles nada podiam fazer. Assim, tive de sofrer a minha solidão duas vezes sozinho. Mas foi nela que se formou aquele que sou hoje. As caminhadas pelo deserto me fizeram forte. Aprendi a cuidar de mim mesmo. E aprendi a buscar as coisas que, para mim, solitário, faziam sentido. Como, por exemplo, a música clássica, a beleza que torna alegre a minha solidão...


A sua infelicidade com a solidão: não se deriva ela, em parte, das comparações? Você compara a cena de você, só, na casa vazia, com a cena (fantasiada ) dos outros, em celebrações cheias de risos... Essa comparação é destrutiva porque nasce da inveja. Sofra a dor real da solidão porque a solidão dói. Dói uma dor da qual pode nascer a beleza. Mas não sofra a dor da comparação. Ela não é verdadeira.

Mas essa conversa não acabou: vou falar depois sobre os companheiros que fazem minha solidão feliz.

Rubem Alves




MORRE RUBEM ALVES UM DOS MEUS AUTORES DILETOS ... LUTO NA LITERATURA BRASILEIRA 2 GRANDES NUMA SEMANA (RUBEM ALVES E JOÃO UBALDO RIBEIRO)





A semana terminou triste para a literatura brasileira. Um dia depois de João Ubaldo Ribeiro, morreu neste sábado, no Centro Médico de Campinas, no interior de São Paulo, o escritor, pedagogo e psicanalista mineiro Rubem Alves, aos 80 anos. Ele estava internado desde o dia 10 de julho na Unidade de Tratamento Intensivo (UTI), com quadro de insuficiência respiratória decorrente de uma pneumonia, e sofreu falência múltipla de órgãos. Em nota, o hospital informou que o óbito foi registrado às 11h50.


Conhecido principalmente como cronista e autor de livros infantis, Rubem Alves escreveu mais de 120 títulos sobre pedagogia, teologia e psicanálise, suas áreas de formação e que pesquisou durante os anos de sua carreira acadêmica na Universidade Estadual de Campinas (Unicamp). O escritor deixa a mulher, Lídia Nopper Alves, e três filhos, Sérgio, Marcos e Raquel. Ainda não há informações sobre velório e enterro.

Trajetória – Rubem Azevedo Alves nasceu em 15 de setembro de 1933 no Sul do Estado de Minas Gerais, na pequena cidade de Boa Esperança, na época chamada de Dores da Boa Esperança. Alves ingressou no Seminário Presbiteriano do Sul, em Campinas, no interior de São Paulo, e se formou em teologia em 1957, sob orientação evangélica. Concluiu mestrado e doutorado em teologia nos Estados Unidos.

Deu aulas para os cursos de Filosofia e Educação da Unicamp até se aposentar, no começo da década de 1990. Em 1995, recebeu o título de professor emérito do Centro de Lógica, Epistemologia e História da Ciência da Unicamp. Alves também concluiu o curso de psicanálise na Associação Brasileira de Psicanálise de São Paulo, em 1980, e manteve uma clínica própria até 2004.

Sua obra inclui livros como: A Alegria de Ensinar (Papirus) e Por Uma Educação Romântica (Papirus), na área de pedagogia; os infantis A Pipa e a Flor (Edições Loyola) e A Volta do Pássaro Encantado (Paulus); e Variações sobre o Prazer (Planeta do Brasil) e Entre a Ciência e a Sapiência (Edições Loyola) sobre filosofia.



"A saudade é a nossa alma dizendo para onde ela quer voltar".

"Amar é ter um pássaro pousado no dedo. Quem tem um pássaro pousado no dedo sabe que, a qualquer momento, ele pode voar” 

"Há escolas que são gaiolas e há escolas que são asas. Escolas que são gaiolas existem para que os pássaros desaprendam a arte do voo. Pássaros engaiolados são pássaros sob controle. Engaiolados, o seu dono pode levá-los para onde quiser. Pássaros engaiolados sempre têm um dono. Deixaram de ser pássaros. Porque a essência dos pássaros é o voo. Escolas que são asas não amam pássaros engaiolados. O que elas amam são pássaros em voo. Existem para dar aos pássaros coragem para voar. Ensinar o voo, isso elas não podem fazer, porque o voo já nasce dentro dos pássaros. O voo não pode ser ensinado. Só pode ser encorajado".

"Não haverá borboletas se a vida não passar por longas e silenciosas metamorfoses."

"Cartas de amor são escritas não para dar notícias, não para contar nada, mas para que mãos separadas se toquem ao tocarem a mesma folha de papel".

"Se fosse ensinar a uma criança a beleza da música não começaria com partituras, notas e pautas. Ouviríamos juntos as melodias mais gostosas e lhe contaria sobre os instrumentos que fazem a música. Aí, encantada com a beleza da música, ela mesma me pediria que lhe ensinasse o mistério daquelas bolinhas pretas escritas sobre cinco linhas. Porque as bolinhas pretas e as cinco linhas são apenas ferramentas para a produção da beleza musical. A experiência da beleza tem de vir antes".

"A vida não pode ser economizada para amanhã. Acontece sempre no presente". 

"A celebração de mais um ano de vida é a celebração de um desfazer, um tempo que deixou de ser, não mais existe.Fósforo que foi riscado.Nunca mais acenderá.Daí a profunda sabedoria do ritual de soprar as velas em festa de aniversário.Se uma vela acesa é símbolo de vida, uma vez apagada ela se torna símbolo de morte".

“É mais fácil amar o retrato. Eu já disse que o que se ama é a ‘cena’. ‘Cena’ é um quadro belo e comovente que existe na alma antes de qualquer experiência amorosa. A busca amorosa é a busca da pessoa que, se achada, irá completar a cena. Antes de te conhecer eu já te amava.... E então, inesperadamente, nos encontramos com rosto que já conhecíamos antes de o conhecer. E somos então possuídos pela certeza absoluta de haver encontrado o que procurávamos. A cena está completa. Estamos apaixonados”.

"Deus existe para tranquilizar a saudade".

"Não havíamos marcado hora, não havíamos marcado lugar. E, na infinita possibilidade de lugares, na infinita possibilidade de tempos, nossos tempos e nossos lugares coincidiram. E deu-se o encontro".

"Todo jardim começa com uma história de amor, antes que qualquer árvore seja plantada ou um lago construído é preciso que eles tenham nascido dentro da alma".

"Quem não planta jardim por dentro, não planta jardins por fora e nem passeia por eles".

"Toda separação é triste. Ela guarda memória de tempos felizes ( ou de tempos que poderiam ter sido felizes....) e nela mora a saudade."

"Deus é alegria. Uma criança é alegria. Deus e uma criança têm isso em comum: ambos sabem que o universo é uma caixa de brinquedos. Deus vê o mundo com os olhos de uma criança.Está sempre à procura de companheiros para brincar".

"Aquilo que está escrito no coração não necessita de agendas porque a gente não esquece. O que a memória ama fica eterno".

“... Sem tempo para lidar com mediocridades. Não quero estar em lugares onde desfilam egos inflados. Não tolero gabolices. Inquieto-me com invejosos tentando destruir quem eles admiram, cobiçando seus lugares, talentos e sorte... Lembrei-me agora de Mário de Andrade que afirmou: "as pessoas não debatem conteúdos, apenas os rótulos". Meu tempo tornou-se escasso para debater rótulos, quero a essência, minha alma tem pressa.”

"Toda alma é uma música que se toca".

"A alma é uma borboleta... há um instante em que uma voz nos diz que chegou o momento de uma grande metamorfose..."

“Aprenda a gostar, mas gostar mesmo, das coisas que deve fazer e das pessoas que o cercam. Em pouco tempo descobrirá que a vida é muito boa e que você é uma pessoa querida por todos.”

"Não foi à toa que Adélia Prado disse que 'erótica é a alma'. Enganam-se aqueles que pensam que erótico é o corpo. O corpo só é erótico pelos mundos que andam nele. A erótica não caminha segundo as direções da carne. Ela vive nos interstícios das palavras. Não existe amor que resista a um corpo vazio de fantasias. Um corpo vazio de fantasias é um instrumento mudo, do qual não sai melodia alguma. Por isso, Nietzsche disse que só existe uma pergunta a ser feita quando se pretende casar: "continuarei a ter prazer em conversar com esta pessoa daqui a 30 anos?"


terça-feira, 8 de julho de 2014

REENCONTROS por Jorge Forbes



Existem duas maneiras básicas de reencontros: o reencontro do mesmo e o do diferente. Reencontro do mesmo é querer sempre encontrar as mesmas coisas, no mesmo lugar, no mesmo jeito. É querer que o tempo não passe, que as ideias não mudem, que os desejos se apaguem. É querer ter um mundo de garantia no qual a aspiração do futuro é ser o passado, é ver o mundo pelo espelho retrovisor.

Reencontro do diferente é buscar na repetição o novo, o não visto, o não vivido. É o impacto que vem das situações não necessariamente novas, posto que reencontro, mas que não se esgotam em sua capacidade de surpreender. São assim, por exemplo, as obras clássicas. Vemos muitas vezes um quadro de Van Gogh e sempre nos surpreendemos. Ouvimos várias vezes uma sinfonia de Beethoven e nos transcendemos. E também pode ser quando encontramos sempre aquela pessoa amada, que nos é sempre enigma, para quem buscamos palavras para expressar nosso amor e nos falta.

O reencontro do mesmo é triste, pouco criativo; é o reencontro do inseguro, da covardia. Ele gerou frases conhecidas, até simpáticas, tais como: “Em time que está ganhando não se mexe”. O reencontro do diferente, ou da diferença, é ousado, inventivo. É o reencontro com algo que sempre escapa, é um reencontro que pede novas descrições, onde tudo parecia evidente.

A canção composta por Isolda, eternizada por Roberto Carlos - “Outra Vez” - soube tocar no fundo da sensibilidade brasileira. É um dos bons exemplos, no nosso cancioneiro, de um reencontro do novo. Nela, “Você é a saudade que eu gosto de ter” é o verso que ninguém esquece. Nota-se o jogo do presente com o passado. “Você é” está no presente, enquanto “saudade” remete ao passado. Por que emociona? Porque o desejo é nostálgico, costumeiramente temos a impressão de que “éramos felizes e não sabíamos”, daí valorizarmos o que nos provoca saudade. Encontrar alguém que nos acalente com saudade parece paradoxal, mas não é não. Agradecemos quem possa nos fazer isso. Melhor, amamos quem nos permite esse tipo de reencontro. Reencontro que alude ao passado, mas inventa o futuro. Exatamente porque a nostalgia é vazia, é uma paixão triste, vem a resposta: “Resolvi te querer por querer”. O que está em jogo é um dizer “sim, eu quero” intransitivo, sem passado e sem futuro. Mesmo que um seja fonte e o outro seja alvo. É uma confiança na flexibilidade inventiva do presente, o que transforma “O mais complicado, no mais simples para mim”.

“Você foi o melhor dos meus erros” é uma declaração de que o que queremos reencontrar não é a verdade lúcida, mas a “mentira sincera” – Lacan concordaria dizendo que no final da análise se alcança a “verdade mentirosa”, vejam só.

“E é por essas e outras que minha saudade faz lembrar de tudo outra vez”. Precisa ainda explicar, ou já está sensivelmente claro? Se precisar, a compositora conclui em receita: “Só assim sinto você bem perto de mim outra vez”. Outra vez e outra vez e mais ainda outra vez, em reencontros que são as brincadeiras mais sérias que a alguém possa ocorrer.

(Publicado em GENTE IstoÉ – abril 2013)



ESTÁ TODO MUNDO DEPRIMIDO por Jorge Forbes


Ser feliz dá um trabalho danado. Chega até a assustar, mas não mata, não

Está todo mundo deprimido, a felicidade foi embora.

Se em uma reunião pudéssemos fazer raios-X das bolsas e dos bolsos, encontraríamos, entre os gêneros de primeira portabilidade, comprimidos de antidepressivos. O que antes tinha emprego discreto, hoje virou conversa de salão. Discute-se qual medicamento cada um toma, como reagiu, há quanto tempo, se o genérico substitui bem o oficial e por aí vai. E se a fala corre solta, sem o comedimento anterior, é porque uma forte propaganda convenceu muita gente de que a depressão é uma doença como outra qualquer, como quebrar o braço em um acidente ou contrair malária. Essa propaganda de fortes coloridos interesseiros da indústria farmacêutica, associada a uma medicina que se orgulha em ser baseada em evidências – aquela em que o médico não dá um passo sem pedir um monte de exames – veiculou a ideia de que você não tem nada a ver com a sua depressão, que os sentimentos são cientificamente mensuráveis e, em decorrência, controláveis.

Sobre isso, Heiddeger contava uma história engraçada. Dizia que um cientista afoito em provar suas teses de medição da felicidade e da tristeza, começou a visitar os velórios de sua cidade carregando tubos de ensaio, nos quais recolhia a quantidade de lágrimas que viúvos vertem a cada três minutos. Podemos imaginar a cena!

Mutadis mutandis, se alguém já viu um interrogatório desses que querem medir o estado depressivo – com algumas nobres exceções - verá que é difícil escapar de ser tachado de doente, quando perguntas como essas lhe são dirigidas, simultaneamente: -“Você tem dormido pouco, ultimamente?”, ou: -“Você tem dormido muito, ultimamente?”. 

Por que essa euforia da depressão? Será mesmo, como muitos respondem, por uma desregulação dos níveis do neurotransmissor serotonina? A serotonina ficou até popular, todo mundo fala dela como do colesterol. Ela é íntima. Agora, por que a serotonina ficou alterada de repente em tanta gente? Alguma epidemia viral de vírus anti-serotonina ou coisa que o valha? Não parece.

Prefiro pensar que se há muita depressão – lato sensu – é porque sofremos uma revolução dos parâmetros que atuam na formação da identidade. Na saída da sociedade moderna para a pós-moderna, não temos mais termômetros de certo e errado que serviam para as pessoas se orientarem se estavam bem ou mal. Com o fim desse maniqueísmo, nossos tempos exigem maior responsabilidade individual no seu bem estar. Aí, muitos fraquejam. Dou um exemplo simples: uma pessoa cruza com um conhecido na rua e o cumprimenta. O outro não responde e segue seu caminho. Qual a primeira pergunta que vem na cabeça de quem fez o cumprimento? O que vem é: -“O que foi que eu fiz?”, no sentido de uma bobagem que ele teria cometido motivo da falta de resposta ao cumprimento. Quando a identidade, como nesse caso, titubeia, ela se regenera, paradoxalmente, na auto-depreciação. Daí para se sentir deprimido é um pequeno passo. E, para complementar a receita, como estamos na época da medicalização da vida, na qual se acredita que para tudo tem remédio, pronto, tasca antidepressivo nele.

Triste tempo esse, realmente, em que tentam dessubjetivar a responsabilidade pessoal frente aos sentimentos. Mas não vai funcionar, como nunca funcionou na história da humanidade quando já tentaram amordaçar o desejo humano.

Ser feliz dá um trabalho danado, chega até a assustar, mas não mata não.


Texto publicado originalmente na revista Gente IstoÉ – setembro 2013



segunda-feira, 7 de julho de 2014

PARA QUE CASAR? Jorge Forbes



- Para que casar? Coisa mais antiga! Nós não precisamos disso, estamos juntos, nos amamos e basta. Não vamos ficar dando bola para a torcida, gastando dinheiro em recepção, pagando mico na frente dos amigos. Isso é coisa velha, já era. Casar não faz a menor diferença.

Certo? Errado.

Fato é que não é a mesma coisa viver junto, mesmo por muito tempo, e proclamar esse amor em público, em data e hora determinada. É pagar um mico? Claro que é, um mico inevitável, entendamos por quê.

Todo amor tem algo de ridículo, como rimou Álvaro de Campos (Fernando Pessoa): todas as cartas de amor são ridículas. E não seriam cartas de amor se não fossem... O ridículo do amor está no aspecto de que nunca conseguimos dar uma boa razão por amarmos alguém. Nem mesmo para a própria pessoa amada, daí a ironia que fazemos com qualquer tentativa de discutir a relação, até o ponto de termos criado a sigla que provoca sorrisos: ‘dr’. Relação não se discute, se vive, se curte, ou se separa. Cobranças, ataques de mentiras e verdades, intrigas, espionagens, nada disso presta para o amor, uma vez que sua essência é de outra ordem que aquelas captadas por esses meios. Amor começa na palavra, mas só ganha sentido no corpo. E nele, a palavra vira murmúrio, daí ridícula, por ser estranha às convenções bem postas.

O amor e suas palavras, por serem tão estranhos, inclusive aos amantes, provocam, com frequência, o desejo de ter um lugar no mundo, em uma carta, em um casamento, em um ato no qual se assuma o estar bobo por alguém. Quem não sabe que os maiores fofoqueiros de casos escondidos são os próprios cúmplices? Por isso: pela vontade de publicar sua escolha. - Eu contei só para meu melhor amigo; - Eu contei só para minha maior amiga. Eles se confessam.

Pode, a cerimônia, ter ou não padre ou juiz de paz, o que não pode faltar é o convite, o momento, e os amigos avisados do que vai acontecer. Como o amor não se explica, o que os amantes fazem é testemunharem – não explicarem - o que sentem. Testemunhar, dizia Jacques Lacan, vem de “testis”, que está na origem de “testículo”. O aval do testemunho não é a razão, é um pedaço selecionado do corpo. E que pedaço! Casar consolida, afirma, inscreve a bobagem de cada um no mundo, propiciando novas e múltiplas expressões de um relacionamento, entre elas, a de maior relevância, os filhos.

O amor pede esse sacrifício para se consagrar, para ser sagrado, pois é laço de outro mundo, além da palavra.

O poeta tem bem razão: - Todas as cartas de amor – como os casamentos – são ridículas. Mas, conclui ele: - Só as criaturas que nunca escreveram cartas de amor é que são ridículas.

Pá!

(publicado na revista Gente IstoÉ – julho 2013)